Na noite de quinta para sexta-feira, a Rússia realizou novos ataques que deixaram metade dos edifícios residenciais de Kiev sem aquecimento, numa altura em que o país regista temperaturas negativas.

Nestes bombardeamentos, que provocaram quatro mortos e 20 feridos, foi utilizado, pela segunda vez desde o início da guerra em fevereiro de 2022, o míssil balístico russo Orechnik. Este míssil tem um alcance que pode chegar aos 4800 quilómetros e atingir cidades europeias num espaço de onze a 16 minutos.



“Em termos de utilização de mísseis balísticos de médio alcance, representa o mesmo desafio para todos: Varsóvia, Bucareste, Budapeste e muitas outras capitais”, alertou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

“Todos precisam de encarar isto da mesma forma e com a mesma seriedade: se os russos não se dão ao trabalho de apresentar uma justificação plausível para o uso de tais armas, então nenhuma ligação pessoal e nenhuma retórica protegerá ninguém disso”, acrescentou.


Zelensky pediu uma “resposta clara” da comunidade internacional a este ataque, argumentando que “representa uma ameaça grave e sem precedentes à segurança do continente europeu”.


Entretanto, o Conselho de Segurança da ONU anunciou que vai reunir-se na próxima segunda-feira a pedido de Kiev. 
“A reunião abordará as flagrantes violações da Carta da ONU por parte da Rússia”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia na rede social X.

A União Europeia, Paris, Berlim e Londres condenaram a “escalada” de Moscovo com utilização deste míssil de alcance intermédio, capaz de transportar ogivas nucleares.

Moscovo ameaça “governantes idiotas” europeus

Segundo o Ministério da Defesa russo, estes ataques foram realizados “em resposta” a uma tentativa ucraniana de atingir uma residência de Vladimir Putin no final de dezembro, acusações que Kiev e o Ocidente consideram “mentiras”.

A intensificação dos ataques ocorre, também, depois de os aliados terem anunciado o plano de enviar uma força multinacional para a Ucrânia caso seja alcançado um cessar-fogo.

Moscovo não recebeu de bom grado esta notícia e o ex-presidente russo Dmitry Medvedev avisou, este sábado, os responsáveis europeus, que classificou de “governantes idiotas”, de que não devem enviar forças internacionais para a Ucrânia, ameaçando com a repetição de bombardeamentos como o de sexta-feira em Kiev.



“Os governantes idiotas da Europa ainda querem a guerra na Europa”, escreveu nas redes sociais Medvedev, atualmente vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia.

Medvedev referia-se especificamente aos resultados da cimeira da Coligação da Boa Vontade sobre a Ucrânia, realizada esta semana em Paris, que terminou com a França e o Reino Unido a concordarem em estabelecer bases operacionais avançadas na Ucrânia como parte de uma força multinacional do pós-guerra — uma situação que Moscovo considera intolerável.

“Já foi dito mil vezes: a Rússia não aceitará tropas europeias ou da NATO na Ucrânia. Mas não, ‘Micron’ [forma como Medvedev se referiu ao presidente francês, Emmanuel Macron] continua a espalhar este disparate patético”, denunciou.

Se “ainda querem a guerra na Europa, que venham. É isto que os espera”, declarou Medvedev antes de publicar um vídeo do bombardeamento de sexta-feira em Kiev.


Zelensky anunciou ainda que o principal negociador da Ucrânia, Rustem Umerov, falou com representantes dos Estados Unidos este sábado, enquanto Kiev e Washington procuram chegar a acordo para pôr fim à guerra, que dura há quatro anos.


c/agências