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Os líderes de petrolíferas como a ExxonMobil, a Chevron, ConocoPillips e os representantes da espanhola Repsol e da italiana Eni foram chamados à Casa Branca esta sexta-feira para falar sobre o petróleo venezuelano.
Tudo porque Donald Trump quer relançar a indústria petrolífera venezuelana, desafiando as gigantes a “investir pelo menos 100 mil milhões de dólares” (cerca de 86 mil milhões de euros) para “reconstruir a capacidade e a infraestrutura necessária”. Na visão do Presidente norte-americano, os EUA retirariam disto “preços de energia mais baixos”.
Mas, segundo meios como a Reuters ou a CNBC, a resposta dos executivos terá sido diferente do entusiasmo expresso por Trump. Nem a Exxon nem a ConocoPhillips se comprometeram a reentrar rapidamente na Venezuela.
Darren Woods, CEO da Exxon, disse mesmo a Trump que o mercado venezuelano é “inviável para investimento” no seu estado atual. “Já tivemos os nossos ativos apreendidos lá duas vezes (houve duas ondas de nacionalização, uma em 1976 e outra já com Chávez), portanto pode imaginar que entrar pela terceira vez [na Venezuela] exigiria bastantes mudanças significativas em relação ao que vimos historicamente e ao atual estado”, cita a BBC.
“É absolutamente crucial termos uma equipa técnica a curto prazo no local para avaliar o atual estado da indústria e dos ativos, compreender o que será preciso para ajudar as pessoas da Venezuela a ter a produção no mercado”, declarou o CEO da Exxon. De acordo com a Reuters, o executivo disse ainda que a visita técnica poderá acontecer quando existirem garantias de segurança.
Várias petrolíferas presentes na reunião, como a Exxon, ConocoPhillips e a Chevron, foram durante várias décadas as principais parceiras da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA). O governo de Hugo Chávez nacionalizou a indústria entre 2004 e 2007, levando as empresas à saída do país. A Chevron é a única das grandes petrolíferas norte-americanas que continua a operar na Venezuela através de joint-ventures com a PDVSA, nota a CNBC. A produção da petrolífera representa cerca de um quinto do total da produção de petroléo na Venezuela. E o dirigente ouvido pelo Presidente, Mark Nelson, vice-chairman, foi o que mostrou mais abertura.
A Chevron está disponível para “muito em breve poder aumentar as nossas extrações dessas joint ventures em 100%, essencialmente com efeito imediato”.
Ryan Lance, CEO da ConocoPhillips, sublinhou a Trump que a PDVSA “precisa de ser reestruturada” para que a empresa possa considerar um possível regresso à Venezuela. “Já que estamos a pensar de forma grande e ousada, temos também de pensar em até reestruturar todo o sistema energético venezuelano, incluindo a PDVSA”, disse Lance a Trump.
Além disso, o CEO da ConocoPhillips também declarou que a banca precisa de estar envolvida em qualquer discussão que implique o financiamento de milhares de milhões de dólares para reparar a infraestrutura energética.
“Também somos capazes de aumentar a nossa produção dentro dos nossos próprios esquemas de investimento disciplinados em cerca de 50% nos próximos 18 a 24 meses“, acrescentou.
Nos últimos anos, a produção petrolífera da Venezuela tem recuado. Atualmente, com uma produção de cerca de um milhão de barris por dia, o petróleo venezuelano representa menos de 1% da produção global.
As petrolíferas europeias Eni e Repsol foram chamadas porque exploram um campo de gás offshore no mar da Venezuela. O administrador delegado da petrolífera espanhola, Josu Jon Imaz, transmitiu o compromisso da empresa em investir no setor para triplicar a produção nos próximos dois a três anos.
Donald Trump assinou esta sexta-feira uma ordem executiva de emergência para proteger as receitas petrolíferas venezuelanas detidas nos EUA, para impedir que sejam confiscadas por tribunais ou credores. O conteúdo da ordem executiva foi divulgado este sábado.
A ordem foi assinada menos de uma semana depois de as forças norte-americanas terem capturado Nicolás Maduro e visa “promover os objetivos da política externa dos EUA”, afirmou a Casa Branca, em comunicado.
A receita, mantida em fundos de depósito de governos estrangeiros, deve ser utilizada na Venezuela para ajudar a criar “paz, prosperidade e estabilidade”, acrescentou na mesma nota.
(Atualizada com mais informação)