Se alguém te pedisse para escolher uma música para te representar “para sempre”, a tendência seria correr para o maior hit, aquele que até quem não é fã reconhece em dois segundos. Kirk Hammett, porém, foi pelo caminho oposto.

Numa participação para a Guitar World, ele foi direto a um recorte bem específico do Metallica: o começo de tudo, quando a banda ainda era mais “pressa” do que “instituição”. A escolhida foi “Motorbreath”, do “Kill ‘Em All” (1983).

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Foto: Universal Music - Tim SaccentiFoto: Universal Music – Tim Saccenti

É uma opção curiosa justamente por não ser o cartão de visita óbvio do grupo. “Motorbreath” é curta, agressiva e com aquela sensação de que a música está sempre um passo à frente do próprio baterista – do tipo que não dá muito espaço para firula: ou entra junto, ou fica pra trás.

Hammett explicou assim: “Eu escolhi porque ela tem aquele ritmo alucinante que a gente adorava nos nossos primeiros dias, além da letra ter definido o tom das nossas vidas pelos dez anos seguintes. E, diferente das músicas que a gente escreveu depois, ‘Motorbreath’ tem menos de quatro minutos!”

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No fundo, a escolha parece menos sobre “a melhor composição” e mais sobre identidade. A letra é praticamente um manifesto juvenil de viver acelerado, e o som tem essa mesma lógica: simples, direto, e com vontade de atravessar a parede.

Pra quem conhece o Metallica além do rádio, “Motorbreath” é um retrato bem nítido de uma fase em que a banda ainda estava montando o próprio vocabulário – e, pelo visto, é esse retrato que Hammett quer que sobreviva quando a poeira baixar.

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