A energia solar consolidou-se como uma das fontes renováveis mais importantes e promissoras, especialmente em países com elevada incidência de luz solar. No entanto, apesar dos avanços tecnológicos, os painéis solares tradicionais, sempre planos, não conseguem captar toda a energia disponível, representando uma limitação histórica na eficiência da produção elétrica a partir do sol.
De acordo com o El Economista, a empresa japonesa Kyosemi Sphelar conseguiu desenvolver painéis solares esféricos, capazes de captar a luz solar proveniente de múltiplas direções e aumentar significativamente a produção de eletricidade em comparação com os painéis planos convencionais.
O conceito de painel solar remonta a 1883, quando Charles Fritts criou o primeiro dispositivo capaz de converter luz em eletricidade. Este painel era rígido e plano, adequado apenas para captar luz de uma direção fixa. Desde então, diversas tentativas de desenvolver painéis não planos foram realizadas, mas sempre consideradas tecnologicamente impossíveis até ao recente avanço japonês.
A inovação da Kyosemi Sphelar baseia-se na forma esférica, permitindo que os painéis aproveitem a luz solar que incide de quase todos os ângulos, aumentando a eficiência energética sem depender da orientação do painel.
Segundo a empresa japonesa, os painéis esféricos conseguem gerar 70% mais eletricidade do que os painéis planos equivalentes, ocupando 75% menos espaço, graças a um efeito de concentração óptica. Este avanço representa um marco promissor para projetos de energia solar, sobretudo em áreas urbanas onde o espaço é limitado.
A Kyosemi já iniciou a distribuição de painéis de amostra para a indústria, ainda que a maioria dos projetos se encontre numa fase inicial de implementação.
Apesar do potencial elevado, os painéis esféricos apresentam complicações técnicas significativas, como:
- Integração arquitetónica: diferentemente dos painéis planos, os esféricos não se adaptam facilmente a telhados ou janelas, exigindo novos conceitos de instalação.
- Complexidade mecânica: a produção destes painéis é mais difícil, elevando os custos de fabricação em comparação com os sistemas tradicionais.
A Kyosemi encara estes desafios como parte do caminho para a próxima geração de energia solar, abrindo a possibilidade de maior eficiência e menor ocupação de espaço em projetos solares futuros.