Pelo meio-dia, quando os colegas ficavam na escola a almoçar, Gui Nunes caminhava poucos metros até casa dos avós. A escola ficava perto e havia um ritual que se repetia quase todos os dias: o avô acendia o lume e grelhava sardinhas ou carne. É por causa disso que, até hoje, mantém uma forte ligação ao churrasco.
“Essas são as memórias mais fortes que tenho de miúdo”, conta à NiT. Anos mais tarde, foi essa paixão pelo fogo que o levou até ao programa “MasterChef Portugal”, da RTP.
A sua profissão, contudo, não tem nada a ver com a cozinha. Depois de terminar o 12.º ano, tirou um curso profissional na área do Audiovisual, mas nunca chegou a trabalhar nesse setor.
“Enquanto estava à procura de trabalho apareceu a oportunidade na área da imobiliária e achei que fazia sentido. Pareceu-me que iria aprender mais e ser mais prazeroso do que ficar atrás de um computador a editar vídeos”, explica. Agora com 39 anos, está ligado a este ramo há cerca de duas décadas.
Já o fascínio pela gastronomia não surgiu tanto por ambição, mas sim por necessidade. Sempre gostou de comer ou provar coisas novas. E, “como bom ribatejano” — é natural de Alpiarça —, adora petiscar entre refeições.
Quando veio estudar para Lisboa, longe dos pais, partilhava casa com amigos, o que o forçou a dar os primeiros passos na cozinha. “Íamos experimentando coisas novas. Quando fui viver sozinho, sem mais ninguém, fui aprimorando o que já sabia”. Hoje com dois filhos, é ele quem assume a função em casa.
A preferência continua a ser clara: grelhados, tal como o avô. “Acho terapêutico acender o lume e ficar à espera do ponto perfeito”, confessa. Também é um grande fã da gastronomia portuguesa, por isso é comum preparar arroz malandrinho, pataniscas ou peixinhos da horta.
A inscrição no “MasterChef Portugal” não partiu dele. Na verdade, foi a mulher quem tomou a iniciativa, apesar da resistência inicial. “Ela acha que eu cozinho bem e gostava que eu participasse, mas nunca foi uma ambição minha”, admite. “Ela dizia-me que me ia inscrever e eu dizia-lhe para não o fazer.”
Quando recebeu a chamada da produção, pensou que se tratava de uma brincadeira. “Pensei que era uma partida e disse-lhes que era engano. Estar à frente das câmaras sempre me fez confusão e nunca quis ser o centro das atenções. Gosto de estar no meu canto.”
Ainda assim, a equipa conseguiu convencê-lo a participar no casting e, fase após fase, lá chegou ao top 16, feito que realizou sem grandes expetativas. Até porque é sempre assim que ele encarou os projetos na sua carreira.
“Nunca tive um ordenado base. Trabalho por objetivos. Isso ensinou-me a não colocar muita expectativa nas coisas.”
Gui entrou na fase de seleção descontraído, focado apenas em fazer o melhor que sabia. “Sou muito exigente comigo mesmo. Dei o meu melhor. Quando entrei, foi uma boa sensação.”
Sobre o percurso no programa, admite que foi bastante positivo. Pelo caminho foi conhecendo novas pessoas e, com o passar do tempo, percebeu melhor onde se encaixava. O que mais gostou da experiência foi, sem dúvida, cozinhar para o chef e jurado Rui Paula. As gravações terminaram em setembro.
“Lembro-me de o ver na televisão, nos programas da manhã e da tarde. Tenho muitas recordações dele. Chegar ao programa e tê-lo a provar a minha comida foi muito gratificante, especialmente quando ele gostava do resultado”.
O concorrente também conseguiu criar uma relação próxima — “quase como uma família” — com os outros colegas. A sua participação no programa ainda não acabou e, para as próximas semanas, promete “criatividades nos pratos que ainda vão aparecer”.
Ao contrário do que tem acontecido com os participantes do programa, os seus grandes planos não passam por abrir um restaurante próprio, mas sim partilhar o que já faz. Quer, então, mostrar mais da sua vida profissional e pessoal.
“Quero continuar a cozinhar ao lado dos meus filhos e influenciar as pessoas a fazerem o mesmo. O tempo de qualidade com a família é muito importante”.
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