A taxa mista continua a ser a modalidade dominante no crédito à habitação em Portugal, mas 2025 ficou marcado por uma perda clara de peso desta opção e por um regresso expressivo da taxa variável, beneficiando do alívio das taxas de juro e das expectativas em torno da Euribor.

Segundo os mais recentes dados sobre crédito habitação do ComparaJá mostram que, em Janeiro, cerca de 85% dos novos créditos à habitação foram contratados com taxa mista. Ao longo do ano, este peso foi diminuindo de forma consistente, fixando-se perto dos 70% em Dezembro, o que representa uma queda superior a 15 pontos percentuais.

Esta correcção surge após um período em que as taxas mistas chegaram a concentrar mais de 80% dos novos contratos, reflectindo a forte procura por estabilidade inicial num contexto de taxas de juro elevadas e elevada incerteza quanto à política monetária.

Em sentido inverso, a taxa variável ganhou expressão ao longo de 2025. Partindo de um peso residual no início do ano, passou a representar quase um terço dos novos contratos no final do período, impulsionada pela expectativa de uma descida gradual da Euribor.

A maior confiança na trajectória das taxas do Banco Central Europeu está a levar mais famílias a aceitarem maior exposição ao indexante, em troca de prestações potencialmente mais baixas no curto prazo, num contexto de normalização gradual da política monetária.

Já a taxa fixa manteve-se encostada à margem ao longo de todo o ano. A sua quota não ultrapassou valores entre os 3% e os 5% dos novos contratos, num mercado claramente dominado por soluções mistas e variáveis.

Com taxas ainda relativamente elevadas, os bancos têm apostado de forma mais agressiva nas ofertas de taxa mista e variável, tornando a taxa fixa menos competitiva para a generalidade dos mutuários.

Apesar da perda de peso, a taxa mista continua a assentar na procura de equilíbrio entre risco e estabilidade, ao combinar um período inicial de prestação estável com a possibilidade de beneficiar, numa fase posterior, de eventuais descidas adicionais das taxas de juro através da componente variável.

A evolução registada em 2025 revela, assim, um mercado mais segmentado e sofisticado, com consumidores a ajustarem a escolha do tipo de taxa ao seu perfil de risco, horizonte temporal e expectativas relativamente à política monetária europeia.