“Precisamos de intervenção porque as pessoas estão a morrer. Precisamos de uma parceria global da Europa, das Nações Unidas, das organizações internacionais da Europa e dos Estados Unidos, do Canadá e dos países da Commonwealth”, afirmou Salah Abbassi, em declarações à agência Lusa.

O ativista, que tem dupla nacionalidade (iraniana e portuguesa), pediu que os países ocidentais e as organizações internacionais “se reúnam e abordem a questão de forma eficaz” porque, defendeu, o regime da República Islâmica “não é diferente dos nazis”.

Abassi sublinhou ainda que os milhares de iranianos que nas últimas duas semanas vão todos os dias para as ruas de várias cidades do país para contestar o regime “não estão a debater política”, mas sim “uma questão de direitos humanos”.


Foto: Rodrigo Antunes/Lusa

Os manifestantes “estão a exigir dignidade, direitos humanos básicos e direitos das mulheres, mas a República Islâmica está a oprimi-los e os tiros estão a matá-los”, avançou o ativista, adiantando que “só ontem à noite [sábado] foram mortas pelo menos 200 pessoas”.

A organização de defesa dos direitos humanos Iran Human Rights, avançou ter registo de 192 manifestantes mortos nas últimas duas semanas, mas alertou para a probabilidade de o número ser muito maior, já que a contagem torna-se muito difícil sem Internet, cortada pelas autoridades na quinta-feira.

“Não há relatório oficial porque não há comunicação com o exterior”, disse Salah Abbassi, referindo que o Irão está “em confinamento” devido ao bloqueio das comunicações.

“Este é um padrão assassino da República Islâmica: matar iranianos inocentes e disfarçar isto como algo que o Ocidente e o mundo não deveriam saber. E é por isso que estão a cortar a internet”, acusou.


Foto: Rodrigo Antunes/Lusa

A manifestação em Lisboa, que começou às 12 horas, juntou cerca de 200 pessoas, com bandeiras de Portugal, Irão, Israel e Estados Unidos e palavras de ordem como: “Queremos dignidade” e “A República Islâmica está a matar-nos”.

“O que exigem é simplesmente dignidade, paz com o mundo, com Israel, com os Estados Unidos e um futuro para si próprios, que lhes é negado pela República Islâmica desde 1979”, explicou.

O ativista reiterou o pedido feito anteriormente por um porta-voz da organização do protesto para que o Governo expulse os representantes da República Islâmica em Portugal, defendendo que o embaixador deve pelo menos ser interrogado.

“O que exigimos às autoridades portuguesas, em primeiro lugar, é que interroguem o embaixador da República Islâmica. Porque representa um culto criminoso, que está a matar o seu próprio povo”, avançou, acrescentando que Portugal deve “mostrar que os criminosos internacionais não têm lugar” no país.

Cercados por um cordão da polícia, a impedir a aproximação da entrada da embaixada, os manifestantes em Lisboa querem mostrar em solidariedade com os que se têm concentrado, desde 28 de dezembro, em várias cidades iranianas, inicialmente para contestar o custo de vida e, depois, para exigir a queda do regime.

Os protestos têm sido reprimidos com violência pelas autoridades, tendo o líder supremo, o “ayatollah” Ali Khamenei, garantido na sexta-feira que o país “ia iniciar” uma repressão.

No sábado, o procurador-geral do Irão avisou que qualquer pessoa que participe nos protestos será considerada “inimiga de Deus”, acusação punível com pena de morte.