António José Seguro (21,4%) e João Cotrim Figueiredo (21,1%) continuam, à semelhança do que aconteceu no dia anterior, no primeiro e segundo lugares das intenções de voto, de acordo com a sétima sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN. Pela primeira vez, e ainda que de forma muito residual, Marques Mendes (14,5%) poderá estar em risco de não passar à segunda volta das presidenciais. No intervalo das intenções de voto, o valor máximo do ex-líder do PSD (17,4%) não chega, no cenário atual, ao valor mínimo do ex-secretário geral socialista (18,1%) e do eurodeputado da IL (17,8%). Porém, com 11,2% de indecisos e com a campanha a meio, nada está fechado.

Face ao dia anterior, a nova sondagem diária mostra que, numa luta a dois entre Seguro e Cotrim, foi o liberal quem mais cresceu nas intenções de voto (um ponto percentual) e está perto de alcançar o antigo líder socialista no primeiro lugar. António José Seguro cresceu apenas 0,6 pontos percentuais. André Ventura mantém-se no terceiro lugar (19,7%), Gouveia e Melo em quarto (17%) e Marques Mendes em quinto (14,5%). Estes três últimos candidatos descem nas intenções de voto da sétima de 12 sondagens diárias da Pitagórica, mas a queda é mais acentuada para Luís Marques Mendes (1,2 pontos percentuais).

Consciente do eventual peso dos eleitores indecisos nas urnas, Marques Mendes apelou este domingo ao “portugueses que ainda não sabem em quem votar”. “É uma percentagem muito significativa, que pode alterar tudo”, disse. Nas intenções de voto no social-democrata, cujo intervalo se situa entre os 11,6% e os 17,4%, o valor máximo não é suficiente para apanhar o valor mínimo de Seguro e de Cotrim, 18,1% e 17,8%, respetivamente. Tal significa que, no cenário atual – que pode mudar radicalmente no dia 18 e ao longo dos próximos dias-, o antigo líder do PSD ficaria fora da segunda volta.

Empate técnico a quatro

Ao mesmo tempo, e devido à luta renhida a Belém entre cinco candidatos e com uma margem de erro de mais ou menos de 4% na sondagem diária, o que se verifica é um empate técnico entre Seguro, Cotrim, Ventura e Gouveia e Melo. O empate já não abrange o resultado máximo possível de Marques Mendes, mas por pouco. Aliás, independentemente da intenção do voto, os 608 inquiridos acreditam que serão André Ventura (22%) e Luís Marques Mendes (20%) a passar à segunda volta. Neste parâmetro, o líder de Chega sobe um ponto percentual face ao dia anterior e o social-democrata desce cinco.

Os três candidatos mais à Esquerda, Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto alcançam juntos 5,5% nas intenções de voto, com ligeiras subidas do candidato apoiado pelo PCP e do deputado do Livre. Ainda assim, a antiga coordenadora do BE fica à frente dos dois (2,6%).

Desde 5 de janeiro, data da primeira sondagem diária, até ao último dia da campanha, a 16 de janeiro, Cotrim Figueiredo é, até ao momento, o candidato presidencial com uma rota ascendente nas intenções de voto: passou 18% para 21,1%. Por outro lado, o almirante Gouveia e Melo, que disse aceitar o apoio de partidos caso passe à segunda volta, tem descido: tinha 19,2% de intenções de voto e passou para 17%.

Seguro cresce no Norte e mais novos seguram Cotrim e Ventura

Nas intenções de voto, sem a distribuição de indecisos, António José Seguro, que segue em primeiro lugar na sondagem diária da Pitagórica, volta a reforçar a intenção de voto no Norte (18,5%), depois de ter descido nos últimos dias. O mesmo aconteceu com Cotrim Figueiredo: subiu 2,8 pontos percentuais nesta região do país. Ainda assim, os dois candidatos reúnem maior preferência no Centro (22,3%) e na Grande Lisboa (23,5%), respetivamente. Gouveia e Melo e Marques Mendes mantêm a primazia no Centro, já André Ventura tem apoio reforçado na Grande Lisboa e no resto do país.

Por faixa etária, Seguro, Marques Mendes e Gouveia e Melo seguram sobretudo o eleitorado dos 55 ou mais anos. Por outro lado, Cotrim Figueiredo e André Ventura são populares entre os mais novos, entre os 18 e os 34 anos. Na análise por género, as intenções de voto em Seguro e Gouveia e Melo são equilibradas entre homens e mulheres. Pelo contrário, a maioria das pessoas inquiridas que dizem ir votar em Marques Mendes são mulheres (15,2%). Na sondagem diária, o eleitorado masculino prefere André Ventura (18,8%) e, de forma destacada, também Cotrim Figueiredo (22,3%).

Os eleitores com maiores rendimentos continuam a preferir o liberal (25,6%), de acordo com as sondagens diárias da Pitagórica. Os números são mais equilibrados nas intenções de voto em António José Seguro, que segura sobretudo a classe média. Gouveia e Melo e André Ventura disputam, segundo as respostas dos inquiridos, os que têm remunerações mais baixas.

Com base no que os inquiridos viram, leram ou ouviram sobre os candidatos presidenciais, Cotrim Figueiredo, António José Seguro e Jorge Pinto têm a “prestação mediática” no verde. Contudo, o liberal lidera esta corrida tem o saldo positivo de 33 pontos percentuais (diferença entre os que dizem que a opinião melhorou ou piorou). O candidato com pior prestação mediática é André Ventura, com saldo negativo de 28 percentuais, logo seguido de Marques Mendes (menos 22) e Gouveia e Melo (menos 20).

Tracking poll: Sondagem diária até 16 de janeiro

O JN publicará uma “tracking poll”, diariamente, até 16 de janeiro, último dia em que é permitida a publicação de sondagens. Poderá seguir a evolução das intenções de voto na edição online, sempre às 20.30 horas, ou na edição impressa. Um estudo de opinião que funciona de uma forma diferente do habitual. Arranca como qualquer outra sondagem, com uma amostra de cerca de 600 inquéritos, que representam o nosso universo eleitoral. A cada dia, acrescentam-se 200 entrevistas, retirando-se as 200 mais antigas. Ao fim de três dias, a amostra estará completamente renovada, relativamente ao dia de arranque. E assim sucessivamente até às vésperas da ida às urnas que, para usar uma frase feita, mas nem por isso menos verdadeira, é a “sondagem” que conta.

Ficha técnica

Durante 3 dias (8, 9 e 10 de janeiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma sub-amostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o género, três cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos três últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de “telemóvel” mantendo a proporção dos três principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI- Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha, bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1225 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 49,63%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC – Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.