A concentração de riqueza em Portugal voltou a ficar evidente em 2025, mas este ano o destaque vai claramente para a fortuna da família mais rica do país, num contexto de valorização de grandes participações empresariais, industriais e financeiras que voltou a colocar os mesmos nomes no topo da hierarquia económica nacional.

Segundo a Forbes Portugal, os patrimónios agregados das 50 famílias mais ricas em Portugal atingiram cerca de 47,7 mil milhões de euros em 2025.

No entanto, uma família destaca-se de forma clara acima das restantes, consolidando a sua posição como a mais rica do país.

Família Amorim lidera isolada

A liderança absoluta pertence à família Amorim, composta pelas irmãs Fernanda Amorim, Paula Amorim, Marta Amorim e Luísa Amorim, com um património avaliado em cerca de 5.840 milhões de euros. Este valor coloca o clã no topo do ranking nacional de forma destacada, com uma margem confortável face aos restantes concorrentes.

A base da fortuna da família Amorim assenta num vasto e diversificado portefólio empresarial. O núcleo mais relevante continua a ser a participação na Corticeira Amorim, líder mundial no setor da cortiça, mas o património estende-se também ao setor energético, financeiro, imobiliário e turístico.

Galp, cortiça e investimentos estratégicos

Um dos pilares centrais da riqueza da família é a participação histórica no grupo Galp, uma das maiores empresas portuguesas cotadas em bolsa, com forte presença nos setores da energia e dos combustíveis. A esta soma-se o controlo da Corticeira Amorim, cuja atividade internacional tem permitido uma valorização consistente ao longo dos anos.

A família detém ainda interesses na Amorim Luxury, no Banco Luso-Brasileiro, bem como em herdades agrícolas e investimentos imobiliários de elevado valor, reforçando uma estratégia de diversificação que tem garantido estabilidade e crescimento do património, de acordo com a mesma fonte.

Influência duradoura

Apesar da dimensão da fortuna, a família Amorim mantém uma postura relativamente discreta na esfera pública. A gestão profissionalizada dos ativos e a aposta em setores estratégicos da economia nacional e internacional têm sido determinantes para a manutenção da liderança no ranking das maiores fortunas portuguesas.

A solidez dos negócios e a presença em áreas consideradas estruturantes da economia explicam porque razão a família continua, ano após ano, a ocupar o primeiro lugar sem grande contestação.

Quem vem a seguir no ranking

Em segundo lugar surge a família Soares dos Santos, com um património estimado em 3.200 milhões de euros. A sua fortuna está fortemente associada à Sociedade Francisco Manuel dos Santos e ao grupo Jerónimo Martins, dono da cadeia de supermercados Pingo Doce.

A terceira posição pertence à família Guimarães de Mello, com cerca de 3.100 milhões de euros, graças às participações no Grupo José de Mello, que integra empresas como a CUF, a Brisa, a Bondalti e a José de Mello Residências.

Sonae e outras grandes fortunas

No quarto lugar encontram-se Nuno Azevedo, Paulo Azevedo e Cláudia Azevedo, com um património conjunto de 2.790 milhões de euros. A família controla o grupo Sonae, proprietário do Continente, além de investimentos noutras áreas relevantes da economia portuguesa.

A fechar o top 5 surge Dionísio Pestana, com uma fortuna estimada em 1.980 milhões de euros, construída sobretudo através do Grupo Pestana, um dos maiores grupos hoteleiros nacionais, com forte presença internacional, de acordo com a mesma fonte.

Como é elaborado o ranking

A Forbes Portugal esclarece que avalia anualmente o património de cerca de uma centena de empresários portugueses, com base em participações em empresas cotadas e não cotadas. A análise recorre exclusivamente a informação pública disponível, incluindo relatórios financeiros, dados de mercado e participações societárias.

Apesar da diversidade de nomes e setores representados, o ranking de 2025 confirma uma tendência clara: a família Amorim mantém-se, de forma destacada, como a mais rica de Portugal, reforçando uma posição que tem atravessado gerações e ciclos económicos.

Leia também: Reformados podem aumentar a pensão com este apoio da Segurança Social: saiba se tem direito e como pode pedir