Receios com independência da Fed deixa Europa sem rumo


As bolsas europeias estão a negociar sem tendência definida, com as praças do bloco divididas entre ganhos e perdas, numa altura em que o foco dos investidores passa dos conflitos geopolíticos ao braço de ferro entre o Presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell. 


Powell disse este fim-de-semana ter recebido uma intimação por, na sua perspetiva, não cortar as taxas de juro. A ação judicial norte-americana pode levar a um processo de destituição de Powell, que termina o mandato em maio deste ano, e coloca ainda em risco a independência do banco central face ao Governo. Os analistas dizem que, como Trump não pode intervir diretamente na política monetária, exerce pressão desta forma. 


Neste contexto, o Stoxx 600 perde 0,17% para 608,62 pontos, afastando-se do recorde atingido na última sessão, pressionado sobretudo pelo setor da energia, das viagens e do automóvel, que caem cerca de 1%. 


É um passo atrás no arranque otimista de ano que o “benchmark” estava a registar, à boleia das mineiras e tecnológicas. Os investidores estão ainda de olho nos desenvolvimentos da geopolítica mundial, com os EUA a continuarem as ameaças de intervenção no Irão. 


“O início do ano tem sido estelar até agora, então esta é uma boa oportunidade para os investidores realizarem alguns lucros”, disse Andrea Tueni, do Saxo Banque France, à Bloomberg.


Quanto aos resultados por praça, o espanhol IBEX 35 recua quase 1%, o francês CAC-40 cede 0,25%, o britânico FTSE 100 avança 0,06%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,42% e o alemão Dax valoriza 0,1%. O neerlandês AEX cede 0,14%. 


Entre as ações individuais, a Abivax dispara 22%, numa altura em que se fala de uma possível aquisição da empresa francesa de biotecnologia.


As ações do Barclays tombam 3,2%, depois de o presidente Donald Trump ter dito que as empresas gestoras de cartões de crédito estariam a “violar a lei” se não limitassem as taxas de juros a 10% por ano, como apelou Trump.


As ações da Heineken caíram 4,54%. O diretor executivo, Dolf van den Brink, deve deixar o cargo meses depois de a empresa ter alertado sobre a queda nos lucros devido à redução nas vendas de cerveja.


O mercado espera pelos novos catalisadores desta semana: os dados da inflação nos EUA e o arranque da “earnings season” nos EUA.