Declaração ocorre após declarações da líder da oposição venezuelana sobre a possibilidade de dividir distinção com Trump. Concessão do Nobel é definitiva e não pode ser revista ou contestada, diz organização.

epa12444140 (FILE) Maria Corina Machado participates in a public event in support of Edmundo Gonzalez Urrutia (not pictured), the presidential candidate of the main opposition coalition, the Democratic Unitary Platform (PUD), in Caracas, Venezuela, 31 May 2024 (reissued 10 October 2025). The Norwegian Nobel Committee has announced at the Norwegian Nobel Institute in Oslo, Norway, 10 October 2025, to award the Nobel Peace Prize for 2025 to Venezuelan opposition leader Maria Corina Machado. EPA/RONALD PENA R.

O Comité Nobel Norueguês afirmou no final da semana passada que o Prémio Nobel da Paz não pode ser transferido, partilhado ou revogado, após declarações da líder da oposição venezuelana María Corina Machado sugerindo que poderia dar o Nobel de 2025 ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Em comunicado, o comité disse que a decisão de conceder um Prémio Nobel é final e permanente, citando os estatutos da Fundação Nobel, que não permitem recursos. A organização também observou que os comités que concedem os prémios não comentam sobre as ações ou declarações dos laureados após receberem os prémios.

“Uma vez que um Prémio Nobel é anunciado, este não pode ser revogado, partilhado ou transferido para outros”, disseram o Comité Nobel Norueguês e o Instituto Nobel Norueguês. “A decisão é final e permanece para sempre.”

No início da semana passada, Machado, em entrevista à Fox News, disse que apresentar o prémio a Trump seria um ato de gratidão do povo venezuelano pela remoção de Nicolás Maduro, ditador do país, que foi capturado na semana passada pelos Estados Unidos.

“Em algum momento pensou oferecer o Prémio Nobel da Paz?” perguntou Hannity. “Isso realmente aconteceu?”. Corina Machado respondeu: “Bem, ainda não aconteceu.”

Trump, que há muito tempo expressa interesse em ganhar o prémio e às vezes o vincula a conquistas diplomáticas, disse que ficaria honrado em aceitar o prémio se oferecido por María Corina durante uma reunião planejada em Washington na próxima semana.

Ex-deputada da Assembleia Nacional, María Corina Machado foi impedida de concorrer na eleição geral venezuelana de 2024 por autoridades alinhadas com Maduro.

Machado apoiou um candidato substituto, Edmundo González, considerado vencedor por grande parte da comunidade internacional. Maduro reivindicou a vitória, chancelada pela Justiça, que é aparelhada pelo regime. Auditorias de votos por observadores independentes mostraram indícios de fraude.