Há dias que o Líbano fervia em torno de um debate pouco comum: até que ponto a visita do padre DJ português Guilherme Peixoto, que uniu a reverência do altar às batidas electrónicas, podia ferir os cânones religiosos.
A celeuma juntou 18 pessoas, entre as quais membros da igreja católica libanesa, numa acção legal que exortava a justiça a cancelar o concerto, alegando que o evento “viola os costumes e ensinamentos da Igreja” e distorce “a imagem da religião cristã e dos seus ritos”.
Mas a Justiça libanesa rejeitou o pedido, noticiou o L’Orient Today, afirmando que os autores da queixa não tinham qualquer autoridade oficial para exigir a proibição, e a ritmada missa acabou mesmo por se concretizar.
O singular programa arrancou pelas 17h locais (15h, em Lisboa) deste sábado, no campus da Universidade do Espírito Santo, com o padre Guilherme a celebrar a eucaristia para, logo a seguir, assumir a mesa de mistura até às 22h30. E, com os bilhetes esgotados, o concerto foi um sucesso, deixando para trás, mais uma vez, as vozes que se erguem contra associar religião e tecno.
Guilherme Peixoto, de 51 anos e natural de Guimarães, tornou-se uma estrela global ao unir o espiritual e o electrónico. Há 20 anos, anima multidões misturando hinos e batidas tecno — e a sua presença tornou-se viral. No Instagram, onde soma mais de 2,6 milhões de seguidores, é tão seguido por fiéis quanto por fãs do som.
Mas, como em qualquer bom debate, as redes sociais estão divididas. Há quem aplauda o estilo irreverente do “padre das batidas”, e veja nele uma lufada de ar fresco para a Igreja, e quem considere que misturar tecno e teologia é “pouco católico”.