Gouveia e Melo falava aos jornalistas a meio de uma visita à Feira Gastronómica de Boticas, no distrito de Vila Real, em que esteve acompanhado pelo presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, e pelo antigo ministro social-democrata Ângelo Correia.

“Não recuso apoio de ninguém. O que eu não quero é ser condicionado por esses apoios”, respondeu o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, após ter sido questionado se gostaria de ter o apoio do primeiro-ministro, Luís Montenegro, num cenário em que passe à segunda volta das eleições presidenciais e o seu adversário Marques Mendes fique de fora.

O almirante disse ter “confiança” de que irá disputar a segunda volta das eleições presidenciais, nas quais “terá necessariamente” o apoio de partidos.

Mas colocou um limite: “Não quero um apoio partidário no sentido em que esse apoio possa condicionar a minha ação”.

“Tenho apoios à esquerda, tenho apoios à direita e tenho apoios, inclusive, nas partes mais extremadas do espetro político. Considero que a presidência é um lugar para unir os portugueses, não para dividir os portugueses. A Presidência da República não pode ser um projeto vertical de um partido político”, criticou.

Logo no início da sua declaração aos jornalistas, Gouveia e Melo apelou ao voto dos portugueses nas eleições de dia 18 e já hoje para quem vota antecipadamente.

“A minha preferência era que tudo se resolvesse à primeira volta. É importante que as pessoas venham votar, mas o voto não deve ser um voto útil no sentido partidário do termo. Em eleições presidenciais, o voto deve ser na personalidade que acham que pode ajudar Portugal nestes momentos difíceis”, defendeu.

Segundo o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, “num momento interno em que a democracia começa a dar sinais de cansaço e de não dar resposta aos problemas sociais verdadeiros da população, num momento externo verdadeiramente perigoso para a ordem internacional, a escolha é qual será o candidato que cada um dos eleitores gostaria que estivesse ao lado dele nos momentos mais difíceis e que garantisse que Portugal consegue passar esta turbulência da melhor forma possível”.

Depois, em estilo de pergunta, Gouveia e Melo voltou a visar indiretamente os seus adversários Marques Mendes e António José Seguro, apoiados respetivamente pelo PSD/CDS e pelo PS.

“Um candidato que não conseguiu no passado unir o seu partido quer agora unir Portugal, como isso é possível? Como os portugueses conseguem acreditar numa coisa dessas?”.

E deixou mais uma advertência: “Quando votarem, pensem seriamente no que estão a fazer. Isto não é um voto partidário. Não estamos em eleições legislativas”.

Gouveia e Melo insistiu que, em eleições presidenciais, a opção é sobre qual a personalidade que “pode influenciar a mudança no país – uma mudança para melhor”.

Neste contexto, mais uma vez, o almirante recusou a ideia de que é pouco experiente para exercer as funções de chefe de Estado.

“Muitas vezes fala-se a experiência, mas a verdadeira experiência é aquela que interessa. Não é a experiência política ou partidária, porque essa é a experiência da Assembleia da República. A verdadeira experiência é a de conseguir perceber onde estão os problemas, ser exigente, dar respostas que a democracia precisa em relação aos problemas das pessoas”, contrapôs.

A seguir, Gouveia e Melo avisou que, durante a campanha, cimentou a sua ideia de que há “uma grande frustração com a democracia”.

“E nós temos de combater essa frustração começando a dar resultados. Não podemos ter falhas permanentes do Estado, irresponsabilidade e outro tipo de atitudes”, acrescentou.