“Somos todos os dias confrontados com uma perceção de problemas e de crise permanente do SNS . Felizmente, isso não é a realidade”, referiu Luís Montenegro durante a cerimónia de inauguração da nova sede da Direção Executiva do SNS, no Porto. No final da cerimónia, não prestou declarações à comunicação social.

“Portugal tem uma garantia de acesso à Saúde como em poucos países do mundo, o que é atestado por relatórios. Não podemos fazer dos casos que temos a generalização”, apelou.

Num discurso em que procurou traçar o retrato recente do SNS, o líder do Governo fez a sua leitura do que têm sido os dias recentes no setor da saúde. “Os tempos de espera são os mais baixos dos últimos cinco anos, os melhores. Não há motivos para dizer que vivemos uma situação caótica porque não vivemos”, enfatizou. “Os profissionais dos SNS enfrentam 150 mil atos diários”, contabilizou.

No entanto, deixou uma garantia: “Não é motivo para estarmos satisfeitos porque podemos melhorar ainda mais”, assegurou durante uma intervenção que durou cerca de 30 minutos e que foi acompanhada, entre outros, pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que não usou da palavra mas ouviu palavras e elogio de Montenegro. “Tem demonstrado competência e resistência notáveis. É assim que se gere o SNS. Os que se amedrontam e caem na primeira curva não têm capacidade para servir o país”.

Também foi garantido que as relações com Marcelo Rebelo de Sousa não sofreram qualquer fricção – “as coisas estão acertadas com o Presidente da República, que recentemente aprovou dois diplomas sobre os quais tinha mais dúvidas”. Só não foi respondido o repto de Marques Mendes, candidato presidencial apoiado pelo PSD, que pediu a Ana Paula Martins que prestasse explicações sobre os recentes casos no setor que tutela porque, segundo disse, o “vazio gera alarme social”.

Idosos, migrantes e críticos

No que diz respeito ao futuro do Sistema Nacional de Saúde, Luís Montenegro adivinhou “desafios gigantes” associados ao envelhecimento da população, ao aumento da população migrante em Portugal e à perda de profissionais. “Há quadros qualificados que procuram oportunidades no estrangeiro e, ao mesmo tempo, ingressaram no país muitos migrantes, que, e muito bem, têm direito a uma resposta de saúde”, descreveu. Trata-se, disse, de “contextos novos a que o SNS não estava habituado”.

O primeiro-ministro deixou ainda críticas sem destinatário direto a quem se opõe às reformas do Governo no setor. “Há alguns para quem está sempre tudo mal. As pessoas reclamam sempre mudanças e depois contrastam-nas. Não nos deixamos intimidar, vamos seguir em frente para conseguirmos resultados diferentes daqueles que temos tido”, assegurou.

Terminada a sua intervenção, que durou cerca de 30 minutos, Montenegro acelerou o passo e dirigiu-se ao carro oficial sem falar aos órgãos de comunicação presentes.

Recorde-se que a nova sede da Direção Executiva do SNS foi inaugurada após a entidade ter estado instalada de forma provisória desde a sua fundação, em 2022, num espaço do Hospital de São João, no Porto.

O edifício situa-se na zona do Viso, também no Porto, e pertencia ao Ministério da Economia.