Sono bom (Foto: Freepik)
Você dorme bem? O sono é um pilar da saúde, mas para dormir com qualidade é importante ter todo um conjunto de hábitos que contribua com isso, afirma a endocrinologista, metabologista e especialista em Neurociências e Comportamento Dra. Jacy Maria Alves.
Dormir bem vai muito além de simplesmente deitar a cabeça no travesseiro e fechar os olhos. A qualidade do sono está diretamente ligada ao estilo de vida e aos hábitos construídos ao longo do dia, muitas vezes sem que a pessoa perceba.
Alimentação, rotina de trabalho, uso excessivo de telas, nível de estresse e até a forma como o corpo lida com estímulos hormonais influenciam profundamente o descanso noturno. Não por acaso, distúrbios do sono têm se tornado cada vez mais comuns, afetando a saúde física, emocional e cognitiva.
Problemas com o sono
De acordo com dados da Associação Brasileira do Sono (ABS) apontam que 65% da população relata problemas relacionados ao sono. Já uma pesquisa da Fiocruz (2023) revelou que 72% das pessoas sofrem com algum distúrbios do sono como, por exemplo, apneia, insônia, e síndrome das pernas inquietas.
“O sono é um pilar da saúde, mas para dormir com qualidade é importante ter todo um conjunto de hábitos que contribua com isso”, afirma a endocrinologista, metabologista e especialista em Neurociências e Comportamento, Dra. Jacy Maria Alves.
De acordo com ela, o organismo funciona de maneira integrada e responde diretamente aos estímulos recebidos ao longo do dia, especialmente aqueles relacionados ao ritmo biológico.
“Um dos principais fatores que interferem na qualidade do sono é o desequilíbrio do ciclo circadiano, responsável por regular os horários de vigília e descanso”, alerta.
Hábitos de vida que afetam o seu sono
Fatores como, por exemplo, a exposição excessiva à luz artificial, principalmente durante a noite, confunde o cérebro e reduz a produção natural de melatonina, hormônio essencial para induzir o sono profundo.
“O hábito de usar celular, computador ou televisão até poucos minutos antes de dormir mantém o cérebro em um estado constante de alerta, e isso dificulta bastante o relaxamento necessário para um repouso reparador”.
A alimentação também exerce papel decisivo nesse processo. Refeições muito pesadas ou ricas em açúcar e estimulantes nas horas que antecedem o sono exigem mais esforço do sistema digestivo e impactam a liberação hormonal.
“Além disso, o consumo frequente de cafeína e álcool, muitas vezes associado à tentativa de relaxar, pode fragmentar o sono e reduzir o tempo nas fases mais profundas, responsáveis pela recuperação do corpo”.
O estresse crônico é outro inimigo silencioso do sono de qualidade. A rotina acelerada, a pressão por produtividade e a dificuldade de “desligar” a mente mantêm elevados os níveis de cortisol, hormônio ligado ao estado de alerta.
“Quando isso acontece, o corpo entende que não é seguro descansar, mesmo quando há cansaço físico. Com o tempo, essa condição pode gerar insônia, despertares noturnos frequentes e sensação de fadiga ao acordar”, destaca a Dra. Jacy Maria Alves.