O OES, organização astronómica da qual Portugal faz parte, realça em comunicado hoje divulgado que a pequena estrela morta `RXJ0528+2838` não deveria ter esta onda de choque, que em condições normais é fruto de gás e poeira estelar que colidem com o meio circundante.
“A descoberta, tão enigmática quanto impressionante, desafia a compreensão de como as estrelas já mortas interagem com o meio que as rodeia”, assinala o OES.
As observações foram feitas com o telescópio VLT, no Chile, e os resultados descritos num artigo publicado na revista da especialidade Nature Astronomy.
A estrela em causa situa-se a 730 anos-luz da Terra e é uma anã branca (núcleo denso e quente que resta de uma estrela de pequena massa na fase final da sua vida).
A forma e o tamanho da onda de choque observada sugerem que a anã branca, que tem na sua órbita uma estrela semelhante ao Sol, “está a expelir um poderoso jato há, pelo menos, um milhar de anos”.
Os astrónomos não sabem exatamente como é que uma estrela morta, sem disco, é capaz de alimentar um jato (material que é ejetado para o espaço) tão duradouro, mas suspeitam que em parte tal se deve ao forte campo magnético da `RXJ0528+2838`.
Mais estudos serão necessários para aferir com rigor a explicação para esta onda de choque.