Por fim, a água precisa ser separada em hidrogênio e oxigênio por meio de um processo conhecido como eletrólise, no qual correntes elétricas rompem as ligações moleculares entre esses dois elementos.

Existem várias versões desse processo que funcionam na Terra. No Espaço, houve menos demonstrações dessa tecnologia, mas vários laboratórios a testaram em vácuos superfrios — uma simulação da superfície lunar. E o experimento Moxie do rover Perseverance da Nasa mostrou que é possível usar a eletrólise para separar o oxigênio respirável do dióxido de carbono tóxico em Marte.

Mas mesmo a água potável não é boa o suficiente para ser separada eletricamente em hidrogênio e oxigênio; ainda há muitas impurezas químicas nela para produzir um combustível limpo. Para o LUWEX, “precisaríamos adicionar outra etapa de polimento”, diz Zabel. Ele observa que tecnologias de purificação de água extremamente eficazes são comuns na Terra. “Só precisa ser transformada em tecnologia para o espaço.”

Então, quando você tiver sua água cristalina, poderá extrair o hidrogênio e o oxigênio dela por meio de um processo de ionização. “Por fim, os gases são liquefeitos e armazenados como propelentes de hidrogênio líquido e oxigênio líquido”, diz Sowers.

Zabel espera que, em alguns anos, a LUWEX chegue ao polo sul lunar. “Seria ótimo produzir um litro de água na Lua como demonstração da tecnologia”, diz ele.

Ainda estamos muito longe de ter o que seriam efetivamente postos de abastecimento no polo sul lunar. Mas se a corrida espacial entre a China e os Estados Unidos realmente esquentar, como se espera, então o rápido desenvolvimento tecnológico não ficará muito atrás.

“Há muita engenharia excelente e muitas ideias excelentes”, comenta Stopar. “Alguém precisa dar o primeiro passo.”

Quando as primeiras bases lunares forem instaladas e os astronautas passarem mais do que apenas alguns dias ou semanas lá, a maior parte do que eles precisarão para sobreviver será enviada da Terra. Mas, com o tempo, essas bases precisarão se tornar autossustentáveis, porque lançar qualquer coisa da Terra custa uma quantia enorme de dinheiro, devido à forte atração gravitacional do nosso planeta e à necessidade de usar grandes quantidades de combustível de foguete para escapar dela.

Mas a Lua tem baixa gravidade e nenhuma atmosfera para atravessar. Portanto, lançar foguetes de lá é mais fácil — e mais barato — do que lançar qualquer coisa da Terra. 

Por que não usar o polo sul lunar como base para futuras explorações do Sistema Solar? Principalmente porque isso exigiria consideravelmente menos combustível no geral, “o custo de uma única missão tripulada a Marte pode ser reduzido em US$ 12 bilhões usando propelente lunar”, diz Sowers.

não serão apenas os foguetes que usarão esse propelente à base de água. Você poderia “colocá-los em células de combustível para alimentar os automóveis rovers lunares”, afirma Zabel. Você poderia usá-los para sustentar máquinas que consomem muito mais energia e que não podem ser alimentadas de forma confiável por células solares ou de forma segura por reatores de fissão nuclear.

o que funcionar na Lua provavelmente também funcionará em outros lugares do Espaço. Tornar a superfície lunar um ambiente autossustentável será útil. Mas, para que os astronautas permaneçam no Planeta Vermelhoesse tipo de sistema será essencial. “Toda a arquitetura da Lua a Marte depende de parte disso ser demonstrado na superfície lunar”, diz Stopar.

Mas mesmo que se torne possível fabricar água potável em massa e, por sua vez, combustível para foguetes na Lua, isso deixa um problema bastante delicado sem uma solução clara. “Os recursos não são infinitos”, comenta Zabel. É fácil imaginar uma situação em que a China e os Estados Unidos estejam competindo para encontrar e extrair essa água inestimável antes um do outro, no mesmo canto apertado da Lua.

“Pode haver um conflito em algum momento”, conclui Zabel.