A missão chinesa Chang’e-6 trouxe novas provas sobre a origem da dicotomia entre as duas faces da Lua, ao revelar que um impacto gigantesco alterou a composição do manto lunar, segundo um estudo publicado esta terça-feira.
A investigação, liderada por cientistas do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências, baseia-se na análise isotópica de alta precisão de basaltos recolhidos pela Chang’e-6 na bacia Aitken no pólo Sul, a maior e mais antiga cratera de impacto do satélite, e foi divulgada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
Os investigadores detectaram que as amostras provenientes da face oculta da Lua apresentam proporções significativamente mais elevadas do isótopo pesado do potássio em comparação com as rochas lunares recolhidas na face visível nas missões Apolo, entre 1969 e 1972.
Depois de excluir outros factores, como a irradiação por raios cósmicos ou processos magmáticos posteriores, a equipa concluiu que um grande impacto primordial, ocorrido há mais de 4200 milhões de anos, provocou a perda de elementos moderadamente voláteis no manto lunar.
Segundo o estudo, as condições extremas de temperatura e pressão geradas durante esse evento favoreceram a evaporação dos isótopos mais leves, alterando de forma duradoura a química interna do satélite.
Essa perda de voláteis terá dificultado a geração de magma na face oculta, o que ajuda a explicar a sua menor actividade vulcânica e o seu relevo mais acidentado, em contraste com as vastas planícies basálticas do hemisfério visível a partir da Terra.
Os cientistas sublinham que esta descoberta fornece novas pistas para compreender como os grandes impactos influenciaram não apenas a superfície, mas também a evolução interna da Lua nas suas fases iniciais.
A missão Chang’e-6, lançada em Maio de 2024, foi a primeira a recolher amostras da face oculta do nosso satélite natural.
A China prepara novas missões lunares não tripuladas, como a Chang’e-7, prevista para 2026 e com destino ao pólo sul da Lua, e a Chang’e-8, programada para 2029 com a participação de 11 países, que estabelecerá as bases para futuras missões tripuladas.
Este país asiático tem investido fortemente no seu programa espacial, com feitos como a primeira alunagem na face oculta da Lua, realizada pela Chang’e-4, e o envio da missão Tianwen-1 a Marte, que fez da China a terceira nação a alcançar o planeta vermelho, depois dos Estados Unidos e da extinta União Soviética.