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A Ucrânia acusa a Rússia de usar mercenários africanos como “carne para canhão” na guerra. Em causa está um caso em que um homem sul-africano terá sido forçado pelo exército de Moscovo a invadir posições ucranianas com uma bomba ao peito. Vários países do continente, como o Quénia ou o Uganda, investigam casos em que cidadãos possam também estar envolvidos.
Um vídeo, que circula nas redes sociais e divulgado pelo The Telegraph, mostra um mercenário africano a ser acompanhado por militares russos numa trincheira e a receber ordens para atacar fortificações de Kiev. Nas imagens, um soldado russo dirige-lhe insultos racistas.
O mesmo jornal afirma que os soldados lhe dizem que estava a ser usado como um “abre-latas” para se explodir e “abrir” um bunker, embora no vídeo só apareça o sul-africano a ser empurrado e insultado.
Outro vídeo, também partilhado pelo The Telegraph, mostra um grupo de recrutas africanos ainda em fase de treino, filmados por soldados russos.
As imagens surgem após Olexander Scherba, embaixador da Ucrânia na África do Sul, ter afirmado ao jornal britânico que a Rússia está a recrutar africanos com falsas promessas de emprego e de salários elevados. Os cidadãos africanos são, no entanto, vistos como “descartáveis”, segundo o embaixador, e o entusiasmo destes homens acaba quando chega a fase de combater. De acordo com as estimativas ucranianas, cerca de 1.400 africanos estarão a combater na linha da frente ao lado de Moscovo.
Em declarações ao mesmo jornal, Olexander Scherba relatou que os africanos são tratados como “carne para canhão” assim que chegam à guerra. “Pode haver todo o tipo de ‘ofensivas de charme’ no continente africano, mas assim que um africano entra nesta guerra, torna-se apenas carne para canhão”, afirmou, acrescentando que a Rússia “olha para África com olhos imperiais”.
Vários países africanos têm alertado para estes esquemas. Na África do Sul, o caso de 17 homens que foram alegadamente enganados para combater pela Rússia na Ucrânia causou polémica. Os homens dizem ter sido obrigados a assinar contratos militares e enviados para a frente de combate no Donbass, onde permanecem, apesar de já terem feito vários pedidos de assistência ao Governo sul-africano.
Casos semelhantes foram identificados noutros países africanos. No Quénia, o Governo está a investigar o recrutamento de vários homens depois de um atleta ter sido capturado pelas forças ucranianas. A Ucrânia divulgou, também, vídeos de prisioneiros de guerra do Uganda, Camarões e Serra Leoa que dizem ter viajado para a Rússia para trabalhar em supermercados ou fábricas e acabaram por ser enviados para a linha da frente do conflito.
O embaixador ucraniano alertou, ainda, para o facto de que muitos destes recrutas nunca receberam o dinheiro prometido e que a esperança média de vida na linha da frente é de apenas alguns dias. “Mesmo que sobrevivam, estarão a lutar ao lado do agressor”, disse, sublinhando que a Rússia aproveita o sentimento antiocidental em África para reforçar a sua influência.