A têxtil barcelense Flor da Moda e o seu braço comercial MJJS, que explora a rede de lojas da estilista Ana Sousa, estão a negociar um plano de salvação com os credores em sede de Plano Especial de Revitalização (PER) por dívidas de 12 milhões de euros. Estão previstos despedimentos coletivos.
A informação é avançada pelo Jornal de Negócios (acesso exclusivo a assinantes), explicando que as duas empresas, ambas presididas pelo marido de Ana Sousa, João Sousa, registaram quedas sucessivas nas vendas e prejuízos acumulados desde a pandemia de covid-19.
De acordo com a mesma fonte, a faturação da Flor da Moda caiu para um terço, fixando-se em 5,7 milhões de euros no ano passado, enquanto as vendas da MJJS não foram além de 1,7 milhões no último exercício, acumulando prejuízos de 3,4 milhões de euros entre 2020 e 2024.
A queda das vendas, associada a custos fixos elevado e ao facto de a marca própria não ter atingido os níveis de escoamento previstos, levou a que as empresas barcelenses recorressem a envididamento na banco e ao avolumar da dívida à Segurança Social e ao Fisco.
PER deu entrada no início do outono
Ainda de acordo com o Jornal de Negócios, incapazes de cumprir as suas obrigações, a Flor da Moda e a MJJS pediram ao tribunal, no início do outono passado, a instauração dos respetivos Processos Especiais de Revitalização (PER), em sede dos quais pretendem negociar com os credores planos de recuperação para as duas empresas, e que têm Francisco José Areias Duarte como gestor judicial.
O jornal económico revela que a Flor da Moda aderiu ao PER com uma dívida da ordem dos 8,9 milhões de euros a 234 credores, surgindo o Estado à cabeça da lista com 4,239 milhões de euros, créditos resultantes da soma dos da Segurança Social (1,166 milhões), do Fisco (144 mil) e do estatal Fundo Imobiliário Especial de Apoio às Empresas). Segue-se a banca, como o BCP (1,1 milhões de euros), o Bankinter (572 mil) e o Santander (471 mil euros), entre outros.
Já a dívida da MJJS totaliza aproximadamente três milhões de euros, com o Estado a surgir novamente à cabeça da lista de 115 credores – a Segurança Social tem a haver 383 mil euros e o Fisco 83 mil.
É ainda ressalvado que a Flor da Moda tem um crédito subordinado (ou seja, valores que só serão liquidados depois de todos os outros) de 402 mil euros.
Despedimentos coletivos
Os PER das duas empresas preveem despedimentos coletivos. A Flor da Moda, que emprega 144 pessoas, promoverá “um despedimento coletivo ao abrigo do PER”, com a estrutura de pessoal para 2026 a passar “a ser composta por 127 funcionários”.
A MJJS, que entrou em 2020 com 24 lojas e tinha 16 em 2024, com um efetivo de 67 trabalhadores, também pretende fazer um despedimento coletivo, mantendo abertas apenas quatro lojas (em Barcelos, Viana do Castelo, Vila Real e Setúbal), que darão emprego somente a oito pessoas.
Em relação a pagamentos, o plano da Flor da Moda prevê, no caso dos bancos e dos credores comuns, um plano de carência de dois anos, seguindo-se a amortização em 144 prestações, mensais e sucessivas, e os créditos laborais em 60, enquanto os da Segurança Social seriam pagos em 150 prestações e os do Fisco em 140.
Por sua vez, o plano da MJJS, revelado pelo Jornal de Negócios, propõe que aos bancos e aos credores comuns, após carência de dois anos, sejam pagos em 120 prestações, os laborais em 60, os da Segurança Social em 150 e os da Autoridade Tributária em 80.
Para a Flor da Moda está prevista “para 2026, uma mudança no paradigma operacional da empresa, com uma aposta reforçada em ‘private label’ (fornecer para marcas de terceiros), que passará a representar cerca de 70,4% do volume de negócios total”, para cerca de 5,2 milhões de euros.
Já a MJJS prevê faturar 722 mil euros este ano.