A Digi decidiu manter os preços inalterados em 2026, contrariando a opção de todas as principais concorrentes a operar em Portugal, que aumentaram os tarifários. Neste ano, a operadora romena espera crescer em número de clientes e resolver os problemas de acesso à infra-estrutura com que tem sido confrontada, incluindo a entrada no Metropolitano de Lisboa, onde ainda não tem cobertura.
“Não vamos aumentar os preços em 2026”, anunciou Emil Grecu, presidente executivo da Digi Portugal, durante um encontro com jornalistas que decorreu nesta terça-feira, em Lisboa, e que marca pouco mais de um ano desde a chegada da operadora a este mercado.
A Digi entrou no mercado português em Novembro de 2024 e, desde então, passou a fornecer rede fixa a cerca de dois milhões de casas, a maioria nas principais áreas urbanas do país. A operadora romena conta agora com 4600 estações 4G, das quais 2600 têm rede móvel 5G e, em 2026, prevê implementar mais 500 destas estações. O objectivo é, também, “melhorar a qualidade das redes”, bem como expandir a cobertura para “a maioria das pequenas e médias cidades”.
Antes disso, a operadora espera conseguir passar a fornecer os seus serviços na rede metropolitana de Lisboa, onde ainda não chegou por recusa do conselho de administração da empresa de transportes. Em Outubro de 2025, a Digi passou fornecer rede móvel em todas as linhas do Metro do Porto, permitindo que os seus clientes usufruam de todos os serviços móveis durante as viagens nesta rede metropolitana. Em Lisboa, contudo, a operadora continua à espera de autorização.
A cobertura no Metro de Lisboa começou a ser discutida com o anterior conselho de administração da empresa de transportes há três anos e a Digi esperava obtê-la ainda antes do lançamento em Portugal, mas acabou por não conseguir autorização. De acordo com Valentin Popoviciu, director de operações da Digi, a empresa “não quer dois sistemas paralelos a operar”, ainda que isso aconteça, por exemplo, no Metro do Porto.
Agora, a Digi prepara-se para iniciar negociações com a nova administração do Metropolitano de Lisboa, presidida por Cristina Vaz Tomé, a quem já pediu uma reunião. Para já, conseguiu acesso às linhas vermelhas e amarela e propôs a implementação de uma solução temporária para ter cobertura também nas linhas verde e azul, um sistema que garante conseguir implementar no espaço de um a dois meses, assim tenha autorização.
A empresa não revela, por outro lado, os principais indicadores financeiros, limitando-se a afirmar que espera aumentar o número de clientes e as receitas, admitindo que não é certo que chegue aos lucros já no actual ano. Os responsáveis da Digi também não avançaram o montante que pretendem investir em Portugal neste ano, dizendo que estará na “ordem das centenas de milhares de euros” e que a empresa está “preparada para investir a longo prazo” no país.