Na cerimónia dos Óscares de 1998, James Cameron proclamou-se em palco o “rei do mundo” após o triunfo de “Titanic”, reproduzindo a célebre frase da personagem de Leonardo DiCaprio.
Em três décadas que se seguiram, o cineasta construiu um currículo que lhe deu a reputação de “rei Midas” em Hollywood: é o único da história a ter três filmes com receitas de bilheteira superior a 2 mil milhões de dólares em todo o mundo, graças ao vencedor de 11 Óscares e aos filmes da saga “Avatar” de 2009 e 2022.
No entanto, Cameron não conseguiu escapar à realidade da matemática: o terceiro filme da saga de ficção científica e fantasia é um grande sucesso nos cinemas, mas é evidente que o seu impacto comercial está significativamente atrás dos seus antecessores.
Lançado nos cinemas na semana de 15 de dezembro, “Avatar: Fogo e Cinzas” arrecadou 343 milhões de dólares nas bilheteiras da América do Norte e 1,2 mil milhões de dólares a nível mundial nos primeiros 24 dias.
O filme anterior, “O Caminho da Água”,que terminou nos 2,3 mil milhões, estava nos 518 milhões nos EUA e Canadá e 1,71 mil milhões no mercado global após quatro fins de semana (o primeiro “Avatar” estava com um total de 1,33 mil milhões).
Em Portugal, onde as “contas” mais claras de fazem nos bilhetes vendidos, o contraste também é claro: 758.742 espectadores para o segundo filme nos primeiros 25 dias e 473.567 espectadores nos primeiros 26 dias para o terceiro.
São números impressionantes para qualquer produção de Hollywood, mas confirmam a erosão da saga cujos filmes também são muito caros.
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Avatar: Fogo e Cinzas
Créditos: 20th Century Studios
“A antiga matemática das sequelas dizia que, a cada novo filme, perdia-se cerca de um terço da bilheteira”, diz o analista Richard Rushfield na mais recente edição da publicação do Substack “The Ankler”.
E acrescenta: “Tivemos estas mega sagas que desafiaram isso, mas sinto que estão a desafiar a gravidade, para usar uma expressão na moda, e eventualmente a gravidade volta a impor-se. Eventualmente, tropeça-se um pouco”.
Com 1,2 mil milhões de receitas até agora, os analistas estimam que “Fogo e Cinzas” já atingiu o ponto de equilíbrio para a Disney começar a ter retorno do seu investimento, tendo em conta um orçamento de produção estimado em 400 milhões de dólares, além dos custos de marketing.
Mas o consenso é que os números finais fiquem entre os 1,5 e 1,7 mil milhões a nível global, abrindo a possibilidade de “Zootrópolis 2”, outro título da Disney, já nos 1,65 mil milhões e com bons números no seu oitavo fim de semana de exibição, se tornar o mais rentável de Hollywood em 2025.
Apesar de estarem previstos mais dois filmes para os cinemas, com data de estreia a 21 de dezembro de 2029 e 19 de dezembro de 2031, Cameron disse em várias entrevistas que não eram uma certeza absoluta porque é preciso prestar atenção ao lado financeiro.
Acrescentou que estava preparado para a possibilidade de colocar um ponto final na saga caso as receitas de bilheteira de “Fogo e Cinzas” não justificassem o elevado investimento.
“Não sei se a saga vai além disto. Espero que sim. Mas, sabem, provamos o sucesso comercial a cada novo filme”, disse à Entertainment Weekly.
E acrescentou algo que se tornou viral: “Eis a situação. Se não conseguirmos fazer o 4 e o 5, por qualquer motivo, farei uma conferência de imprensa e digo-vos o que tínhamos planeado”.
O cineasta também tem destacado que o mercado de cinema mudou com o crescimento do streaming e o impacto da pandemia: segundo a sua análise, as quebras de espectadores estabilizaram nos 30 a 35%, sem sinais de cair mais, mas também sem recuperar.
“E isso pode representar toda a margem de lucro de um filme como ‘Avatar’. Por isso, vamos deixar a poeira assentar, talvez lucremos um pouco, talvez não. Mas vamos analisar o modelo de negócio e ver como podemos melhorá-lo, talvez reduzindo os custos com alguma nova tecnologia. Esse será o meu foco”, explicou à publicação ‘online’ Deadline.
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