Ao final da tarde, já de noite e em frente ao Castelo de Guimarães, André Ventura apostou forte no apelo ao voto e dedicou-se a diferenciar imigração de emigração num “momento em que o país é tão afetado, tão destruído, tão dilacerado”.
O candidato a Belém afirmou que os que vieram, leia-se imigrantes, “não mandam abaixo a nacionalidade” portuguesa e jurou: “Somos a única candidatura que não medo de dizer patriotas, que amamos este país, que a bandeira é o que nos move e que não aceitaremos que nenhuma outra as substitua.”
E focou-se nos emigrantes — depois de ter vencido no estrangeiro nas últimas legislativas — para sugerir que Portugal devia ser “um país rico, que conseguisse dar aos seus, que conseguisse fixar cá os seus jovens e não vê-los a sair todos os dias para irem para a Suíça, para o Luxemburgo, para a França”. “Não queremos mais jovens portugueses fora do país. Eu quero ir buscar cada um desses jovens portugueses, cada um para regressarem aqui à nossa pátria. Cada um deles. O meu mandato não vai estar completo enquanto não for buscar todos”, garantiu o presidente do Chega.
No mesmo sentido, questionou: “Que sentido faz continuarmos a ser um país cheio de imigração dos países do indostão e os nossos próprios estarem a ir para fora, [os] que cá estudaram, que aqui estiveram nas nossas universidades, e em vez de nos darem riqueza a nós, vão dar riqueza a outros países da Europa?”
No pontapé de saída para os “últimos dias”, Ventura fez ainda um forte apelo ao voto, agora que, ao contrário do que tem acontecido, as sondagens o colocam nos primeiros lugares. “Não podem ser só as sondagens a colocarem-nos em primeiro lugar, temos de ganhar. Nunca fomos de ganhar nas sondagens, se nos põem a ganhar é porque estamos a dar uma tareia monumental. Mas este país não se fez com sondagens, fez-se a acreditar que podíamos mudar”, afirmou, pedindo que “ninguém se condicione por boas sondagens”. “Nada está ganho”, resumiu.
“Essa mudança de um país que está a acordar tem de ser incentivada. Têm de ir votar e levar os outros a votar.”
A direção de campanha de André Ventura divulgou, esta terça-feira, a lista de donativos e diz que candidato à Presidência da República apenas recebeu 675 euros.
Na lista enviada aos jornalistas que cobrem a campanha do líder do Chega como candidato a Belém surge o nome de 17 pessoas que contribuíram, não podendo ser divulgado o nome por proteção de dados.
O valor mais baixo é de 10 euros e o mais alto de 100 euros, sendo que os donativos foram feitos entre 31 de dezembro de 2025 e 11 de janeiro deste mês. Segundo a mesma lista entre 31 de dezembro e dia 8 de janeiro não houve qualquer donativo.
Recorde-se que, no trabalho feito pelo Observador sobre os rendimentos dos candidatos a Belém, André Ventura, em 2019, declarava uma conta bancária como “conta presidenciais AVPR2021” onde tinha cerca de 14 mil euros — onde alegadamente estariam os donativos dessa altura.
No site da candidatura de André Ventura é possível fazer donativos em nome individual — sendo obrigatório introduzir os dados pessoais, como nome, morada e contribuinte. Há um limite legal de 12.500 euros e surge um aviso quando esse valor é ultrapassado.