No lançamento do clássico para a Taça de Portugal, José Mourinho traçou o tipo de adversário que poderá encontrar pela frente. “Acho que o F. C. Porto é uma equipa que entra no campeonato com um perfil de jogo e jogador que não me parece uma decisão do treinador, não me parece que é por aí que haja uma alteração do que são enquanto equipa. É tão fácil com base em data, números e percentagens de analisar o F. C. Porto. Acho que mesmo o leigo basta agarrar-se aos números para perceber a equipa que são”, referiu.
As falhas defensivas de Sudakov e uma eventual perda de lugar do ucraniano no onze inicial também foram abordadas. “Os erros individuais pagam-se. Tenho mais facilidade em aceitar determinado tipo de perfil de erro individual. Obviamente que o golo do Zalazar tem um mérito incrível do próprio, mas tem um demérito enorme nosso. E é o tipo de erro que, com outro jogador, com outra história, com outra experiência e outra formação, eu teria mais dificuldade em aceitar do que aquilo que tive. E também no momento em que se fala de Sudakov como dificuldade na sua forma atual, ao nível físico, porque não teve a pausa de inverno como está habituado. Eu digo que o contexto em que cresceu e viveu não é propriamente um contexto de uma altíssima competição com altíssimo nível de responsabilidade”, explicou.
“Vem de um campeonato numa Ucrânia a viver o momento que conhecem, onde um processo de treino, posso imaginar, é de enormes dificuldades. Nem quero pensar em ter uma pessoa que amo, no caso dele várias, num cenário de guerra, a não saber qual pode ser o último dia, sem saber se amanhã voltará a falar com eles. Não posso imaginar o que isso tem de influência num jovem jogador. O Sudakov da minha parte tem apoio. Obviamente que também tem crítica, mas também tem apoio. Não lhe vou dizer ‘olha fizeste bem em deixar o Zalazar rebentar com tudo’. Mas também não o posso crucificar por uma situação que tem atenuantes. Se temos de por alguém com outra responsabilidade defensiva? Se calhar sim. Mas se calhar temos de por alguém para o Alberto Costa, Pepê, Martim, o jogador que jogar naquela zona, possa pensar ‘cuidado que este pode lixar-me’. Mas reconheço que a pergunta faz sentido”, completou.
Quanto ao substituto de Otamendi, suspenso para este jogo, esse ainda está em aberto. “Ou o António ou o Gonçalo Oliveira. Não lhe posso garantir que o António vai jogar, mas também não quero arriscar mentir-lhe e dizer que não vai jogar. Está convocado o António, o Gonçalo, o Tomás e o João Fonseca. Exatamente a pensar que o António pode não jogar e ter de jogar o Gonçalo e ter o Fonseca como proteção. É uma situação que não está clara”, afimrou.
Já a implicação do desfecho no Dragão foi avaliada pelas duas faces da moeda. “Uma vitória significa que jogaremos a meia-final. Uma derrota significa que o F. C. Porto joga a meia-final e que nós ficamos de fora. Se ganharmos e estivermos na meia-final, regressamos a casa com felicidade. No dia seguinte, que é livre, regressamos com um sorriso. Se perdermos, regressaremos com a mesma cara fechada com que temos estado nos últimos dias, mas a mesma disponibilidade para preparar o jogo com o Rio Ave, se é que se pode dizer preparar, jogando quarta e sábado, mas com o mesmo profissionalismo e atitude com que fizemos este período, que ao nível da alegria foi pouca coisa”, disse.
F. C. Porto e Benfica medem forças na quarta-feira, no Dragão, num jogo a contar para os quartos de final da Taça de Portugal.