A nova tarifa poderá significar uma taxa mínima de 45% sobre bens provenientes da China, face à taxa atual de 20%

Donald Trump anunciou esta segunda-feira que os países que façam negócios com o Irão vão enfrentar uma nova tarifa de 25%. O anúncio sugere que bens provenientes da China, um dos principais parceiros comerciais tanto do Irão como dos Estados Unidos, poderão tornar-se significativamente mais caros de importar.

“Com efeitos imediatos, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irão pagará uma tarifa de 25% sobre qualquer e todo o comércio realizado com os Estados Unidos da América”, escreveu Trump na rede social Truth Social. “Esta ordem é final e conclusiva”, acrescentou.

A Casa Branca recusou-se a partilhar informações adicionais sobre a tarifa e sobre a forma como a administração Trump pretende implementá-la, remetendo a CNN para a publicação do presidente.

Trump não definiu o que considera ser “fazer negócios” com o Irão. A publicação levantou várias questões, incluindo de que forma estas tarifas adicionais poderão funcionar, quais os países que serão visados e se os serviços, e não apenas os bens, ficarão sujeitos a taxas mais elevadas.

O anúncio surge numa altura em que Trump tem falado numa possível intervenção militar dos Estados Unidos para “resgatar” manifestantes anti-governo no Irão, centenas dos quais terão sido mortos. Um corte nas comunicações, imposto pelas autoridades na quinta-feira, isolou em grande medida a população iraniana do resto do mundo.

A nova tarifa poderá significar uma taxa mínima de 45% sobre bens provenientes da China, face à taxa atual de 20%.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China já condenou esta medida.

“A posição da China em relação às tarifas é muito clara: não há vencedores numa guerra tarifária, e a China irá salvaguardar firmemente os seus direitos e interesses legítimos”, afirmou esta terça-feira a porta-voz Mao Ning aos jornalistas.

Nos primeiros 11 meses de 2025, a China exportou bens no valor de 6,2 mil milhões de dólares (cerca de 5,7 mil milhões de euros) para o Irão e importou 2,85 mil milhões de dólares (aproximadamente 2,6 mil milhões de euros), segundo dados das alfândegas chinesas.

Estes números não incluem as compras de petróleo, que a China não divulga publicamente. Analistas estimam que o país tenha representado mais de 90% do comércio de petróleo iraniano nos últimos anos, através de intermediários.

Uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China no ano passado abalou os mercados globais, depois de Trump ter elevado as tarifas sobre produtos chineses até um máximo de 145%. A taxa atual resultou de longas negociações.

Além da China, Índia, Emirados Árabes Unidos e Turquia são considerados importantes parceiros comerciais do Irão.

Trump duplicou este verão as tarifas sobre bens provenientes da Índia para um mínimo de 50%, procurando punir o país por comprar petróleo russo. O presidente ameaçou aplicar tarifas semelhantes a outros países que adquiram petróleo da Rússia, incluindo a China, o seu maior cliente.

Ao longo do seu segundo mandato, Trump tem recorrido a uma lei conhecida como International Emergency Economic Powers Act (Lei dos Poderes Económicos de Emergência Internacional) para impor taxas sobre importações. Esta utilização inédita da lei está, no entanto, a ser contestada no Supremo Tribunal dos Estados Unidos, com uma decisão esperada ainda este mês.

Caso os juízes considerem que Trump não tinha autoridade legal para impor estas tarifas, o presidente não só perderá a capacidade de ajustar taxas aplicadas a outros países praticamente sem restrições, como os Estados Unidos poderão ser obrigados a devolver pelo menos 130 mil milhões de dólares (cerca de 120 mil milhões de euros) em receitas tarifárias.

*Simone McCarthy contribuiu para este artigo