Por outro lado Vanda Coelho, adjunta da Direção do Agrupamento de Escolas de Gafanha da Nazaré que levou outros dois alunos à China, destaca que apesar da falta de apoio monetário o Governo ajudou de outra maneira: “A visita à China estava agendada para o ano passado, mas como houve um problema com a organização, só foi feita este ano. O processo foi desafiante, sobretudo por decorrer em período letivo, mas a organização do Ministério da Educação revelou-se muito eficaz. Em cerca de 15 dias foi possível agilizar autorizações que, normalmente, demoram mais de um mês. Foi garantido que a ausência dos alunos não prejudicaria o seu percurso escolar, através de planos de recuperação, e que as aulas seriam asseguradas com a substituição dos professores acompanhantes. A DGEstE Centro e a DGEstE Lisboa tiveram um papel fundamental, demonstrando grande rapidez e disponibilidade na validação final do processo.”
Ilda Batista, da escola de Sesimbra, recorda que o período que antecedeu a viagem foi de “muito trabalho”, também devido ao compromisso assumido com as mães dos alunos de os fundos também cobrirem as suas viagens. “A China é outra realidade, com dificuldades de comunicação e cultura diferente, pelo que ficámos mais descansados por haver essa possibilidade”, explica. “Houve contributos de muitas pessoas, às quais estamos muito agradecidos.” O Observador contactou o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, mas não obteve resposta em tempo útil.
A equipa portuguesa não ficou apurada para a final, destino semelhante ao das equipas de todos os outros países com exceção da China. “[As equipas chinesas] Estão noutro nível”, afirma Ilda Baptista, por terem mais experiência. “Os alunos das equipas locais acumulam créditos, dados neste tipo de competições, para entrarem na universidade, pelo que são extremamente competitivos.”
Depois da prova “inesquecível”, os seus alunos começaram logo a combinar o que fariam para o ano. “É deixá-los sonhar! É motivo de muito orgulho para todos (direção, alunos, professora, pais, restantes comunidade educativa e professores do CCTIC)”, garante a professora que participou pela primeira vez num concurso desta escala.
Os professores elogiam a organização do concurso, que disponibilizou um programa cultural para que as equipas estrangeiras conhecessem Wuxi e arredores. “De manhã tivemos um treino, depois da abertura das diferentes competições, e à tarde foi a competição. No segundo dia, de manhã foi a final para as equipas apuradas e a entrega de troféus e à tarde fomos ver uma escola particular, do pré-escolar até à universidade, com quinta pedagógica e hipismo. No terceiro dia, fomos conhecer Xangai — com a sua arquitetura espetacular e luzes noturnas — e no quarto dia houve visitas livres, antes da ida para o aeroporto”, explica Ilda Baptista ao Observador. “As viagens eram feitas com todos, que puderam interagir.”
Em Portugal, as provas nacionais são organizadas pelos 13 Centros de Competência TIC (CCTIC) sediados em instituições do ensino superior por todo o país, cuja missão passa por apoiar a utilização educativa de tecnologias digitais nos primeiros anos de escolaridade (dos 3 aos 13 anos).
O CCTIC ESE/IPS mantém, desde 2021, uma parceria com a MatataStudio que permite fornecer material às escolas. No âmbito dessa colaboração, foi lançado no ano letivo de 2023/2024 o concurso nacional de robótica educativa, que apura os alunos para a competição internacional.
João Grácio e João Torres, do CCTIC de Setúbal, lamentam ter menos professores dedicados a este tipo de projetos. “Da parte do Ministério, os CCTIC recebem uma verba destinada, sobretudo, a cobrir deslocações e ajudas de custo nacionais no apoio às escolas. O ano passado dispúnhamos ainda de dois professores em mobilidade, um a 80% e outro a 100%. Infelizmente, este ano letivo ficámos sem o elemento a 80% e fomos informados, em dezembro, que ficaríamos, também, sem a mobilidade do elemento a 100% a partir de janeiro. Estes recursos humanos são essenciais para o desenvolvimento deste e de outros projetos que já estavam previstos no nosso plano de atividades”, explicam ao Observador via email. “É com muita apreensão que vemos o futuro deste concurso, assim como o concurso nacional de programação em Scratch e da formação e investigação que temos vindo a desenvolver sem estes elementos. Assim, mais que o dinheiro sentimos um desinvestimento nas pessoas altamente especializadas que em muitos casos têm décadas de investigação nesta área e permitem a realização de projetos inovadores como este.”