Um filme inspirado num livro que é, por sua vez, inspirado “na tragédia mais longa de Shakespeare”, um dos clássicos mais marcantes da história da literatura. Falamos de “Hamlet”, onde um príncipe dinamarquês questiona a existência e equaciona o suicídio perante uma caveira, dilema resumido na inquietação “ser ou não ser, eis a questão”, porventura, “as palavras mais citadas da literatura universal”.

“Hamnet”, a mais recente longa-metragem de Chloé Zhao, é assim uma releitura da obra de William Shakespeare. O filme, inspirado no romance homónimo da escritora irlandesa Maggie O’Farrell, publicado em 2020, tem estreia marcada nas salas nacionais para 5 de fevereiro. A chegada ao circuito comercial acontece após a estreia em Portugal no LEFFEST, integrado na Seleção Oficial (Fora de Competição), em novembro de 2025.

A obra reúne um elenco de peso, com Jessie Buckley (Agnes), Paul Mescal (Will) e Emily Watson (que interpreta Mary, mãe de William Shakespeare), nos papéis principais. A narrativa retrata a jornada íntima de “um casal ligado pelo amor, pela perda e pelo poder criativo que converte o sofrimento em arte”. Na Inglaterra de 1580, William Shakespeare, um modesto professor de latim, conhece Agnes, uma mulher de espírito indomável, guiada pela intuição e em sintonia com a natureza. 

Da paixão entre ambos nasce o casamento, e três filhos, Susanna e os gémeos Hamnet e Judith. À medida que a relação evolui, Will desenvolve uma carreira teatral fulgurante em Londres, enquanto Agnes permanece em Stratford-upon-Avon, dedicada ao lar e aos filhos. 

A ligação entre o casal é abalada quando uma tragédia inesperada atinge a família: Hamnet morre, aos 11 anos, vítima de peste bubónica, em 1596 — episódio verídico que diversos biógrafos de Shakespeare relacionam com a escrita e publicação de “Hamlet”, por volta de 1600. Partindo deste cenário, o filme explora a capacidade da criação para dar sentido ao sofrimento.

“É uma história sobre amor e morte e sobre a forma como estas experiências fundamentais se transformam mutuamente através da arte. O amor não morre — transforma-se”, resume a cineasta Chloé Zhao, também autora de “Nomadland”, distinguido com seis Óscares em 2021. 

“Hamnet” é também um forte candidato aos prémios da Academia este ano, contando já com várias distinções, incluindo dois Globos de Ouro, na cerimónia que teve lugar na madrugada de domingo, 11 de janeiro, (Melhor Filme de Drama e Melhor Atriz de Drama para Jessie Buckley), o Critics Choice Award de Melhor Atriz para Jessie Buckley, e o People’s Choice Award no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF).

Já o romance de Maggie O’Farrell venceu do Women’s Prize for Fiction 2020, está editado em Portugal pela Relógio d’Água. Conta com 320 páginas, custa 18€ e está disponível para compra online.