Numa publicação nas redes sociais, Luís Oliveira começou por questionar se “o problema do socorro em Portugal ficou resolvido num só dia e se o território português se resume a Lisboa”, lembrando que “há certas zonas do território que estão a mais de 100 quilómetros das unidades hospitalares” que deveriam ter tido o mesmo tratamento de reforço de meios. Na sexta-feira, a LBP anunciou a criação de uma “task-force” de ambulâncias dos bombeiros da Ajuda, Cabo Ruivo, Camarate e Cascais para socorro pré-hospitalar, sediadas na sede, para operar em regime de ambulâncias adicionais, das 8 às 20 horas.
Bombeiros há 35 anos, nove dos quais como comandante do Corpo de Voluntários da “Vila do Rio Mira”, Moreira apontou o dedo à Liga, que “continua a dividir para reinar”, e foi mais longe: “Temos uma Liga de Amigos e não uma Liga de Bombeiros”, rematou.
O comandante deu como exemplo o caso de Odemira, devido à sua extensão e diferentes tipos de socorro aos doentes, onde a corporação faz transporte para três hospitais; o do Sudoeste Alentejano, a unidade de referência em Santiago do Cacém, a 75 quilómetros do Barlavento Algarvio; o de Portimão, a 90 quilómetros, e o de Beja, a 100 quilómetros.
O operacional lamentou que não tenham consultados os bombeiros a nível nacional e apontou o facto da “task-force” ter ficado sediada na Liga “para o show-off”, defendendo que deveria ter sido criada e implementada “nas bases de apoio logístico da Autoridade de Proteção Civil que serve para reunir os meios para combate a incêndios”.

Luís Oliveira, comandante dos Bombeiros Voluntários de Odemira (Foto: Direitos Reservados)
“Portugal não é Lisboa”
Questionado sobre se António Nunes e a sua direção deveriam sair, Luís Oliveira lembrou que recentemente “houve eleições e não se apresentaram alternativas”, mas considerou que o Conselho Executivo da LBP “deveria ouvir mais os bombeiros da província, porque Portugal não é só Lisboa”.
A 31 de agosto do ano passado, Luís Oliveira não poupou nas críticas ao Governo, a propósito da decisão de aumentar em 25% o valor pago aos operacionais envolvidos no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) 2025. “Não, muito obrigado”, respondeu, na altura.
O comandante dos BVO sustentou que o Executivo estava a dar “esmolas” em vez de valorizar a classe, recordando à ministra da Administração Interna que “enquanto uns foram combater os incêndios para o Centro e Norte, outros ficaram a garantir o socorro e a combater incêndios nas suas áreas de atuação, integrados no mesmo dispositivo daqueles que foram”.