A luta pelo título de cidade mais visitada do planeta tem um vencedor claro, mas as movimentações nos bastidores revelam muito mais do que uma simples contagem de passageiros. O novo Top 100 City Destinations Index 2025, da Euromonitor International, mostra que o eixo do turismo se está a deslocar para Oriente, impulsionado por grandes eventos e novas políticas de fronteiras.
O relatório projeta que as 100 principais cidades do mundo recebam, em conjunto, 702 milhões de viagens este ano. Isto representa um crescimento de 8% face ao ano anterior, o dobro da média global de crescimento do setor.
O pódio das chegadas: Banguecoque e a força asiática
Banguecoque mantém a liderança absoluta com 30 milhões de chegadas internacionais. O feito é notável porque enfrentou desafios económicos, como uma moeda local mais forte que encareceu a estadia. A capital tailandesa consolidou-se, contudo, como a principal porta de entrada para quem visita a Tailândia, servindo de base estratégica antes das viagens para as ilhas do sul. Além disso, a combinação de preços acessíveis e uma rede de transportes moderna (com o Skytrain e o Metro MRT em expansão) tornou a cidade num paraíso para trabalhadores remotos.
O setor tecnológico da cidade está em rápido crescimento, atraindo uma nova vaga de profissionais que procuram conciliar trabalho com a descoberta cultural, que continua a ser um grande trunfo. Do majestoso Grande Palácio ao icónico templo Wat Arun, a cidade mistura espiritualidade com um ritmo urbano intenso. Os mercados flutuantes e o famoso Mercado de Chatuchak continuam a ser paragens obrigatórias.
A hotelaria também está a evoluir. A recente abertura do Aman Nai Lert Bangkok sinaliza uma aposta no turismo de luxo, contrariando a ideia de que a cidade é apenas para mochileiros. O estudo da Euromonitor nota, aliás, uma mudança de paradigma: o foco está a passar do “volume” para o “valor”, privilegiando turistas que ficam mais tempo e gastam mais.
Logo atrás, em segundo lugar, surge Hong Kong, que registou um crescimento de 6%. A recuperação da antiga colónia britânica não foi acidental. O relatório destaca dois grandes motores: a inauguração do Kai Tak Stadium, que atraiu grandes eventos de futebol internacional, e a reabertura do Terminal 2 do aeroporto, que aumentou drasticamente a capacidade de voos.
As dez cidades que atraíram mais viajantes internacionais em 2025 foram:
O “foguete” chamado Macau
A análise mais descritiva da Euromonitor aponta Macau como a cidade mais dinâmica do ano. O território registou um impressionante crescimento de 14% nas viagens de entrada.
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Macau está no radar dos turistas
Créditos: Raineil Cenzon | Unsplash
O segredo? A integração regional. Cerca de 90% dos visitantes chegam da China Continental e de Hong Kong, impulsionados por novas medidas de facilitação de fronteiras, como o programa “uma viagem por semana” para residentes de Zhuhai.
Macau deixou de ser apenas um destino de jogo para se afirmar como um centro de lazer regional de acesso rápido.
Performance turística: onde o negócio acontece
Para além do volume de pessoas, o estudo analisa o pilar da Performance Turística, que mede o sucesso comercial e a procura real. Neste indicador, houve uma reviravolta histórica: Orlando ultrapassou Nova Iorque e assumiu o primeiro lugar mundial.
O sucesso de Orlando explica-se pela combinação de viagens domésticas fortes e grandes aberturas, como o parque Epic Universe, além do popular Walt Disney World Resort.
Medina, na Arábia Saudita, foi a cidade que registou os maiores ganhos neste campo, devido à melhoria nas ligações aéreas e à subida da ocupação hoteleira.
O ranking de Performance Turística de 2025 ficou ordenado da seguinte forma:
- Orlando, EUA
- Nova Iorque, EUA
- Dubai, EAU
- Paris, França
- Londres, Reino Unido
- Medina, Arábia Saudita
- Tóquio, Japão
- Madrid, Espanha
- Las Vegas, EUA
- Singapura, Singapura
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Orlando, nos EUA, brilha devido aos seus parques de diversão
Créditos: Mick Haupt | Unsplash
O futuro é “smart” e focado no valor
O estudo identifica uma mudança de filosofia. As grandes metrópoles, como o Dubai ou Singapura, estão a deixar de querer “volume a qualquer custo”. A nova prioridade é o “valor”, utilizando Inteligência Artificial para gerir fluxos de pessoas e evitar a sobrelotação.
O foco está agora em atrair viajantes que ficam mais tempo e que interagem de forma mais responsável com o destino.