Rui Manuel Marinho Rodrigues Maia



Licenciado em História, Mestre em Património e Turismo Cultural pela UMinho – Investigador em Património Industrial

O grupo AVIC encontra as suas origens em meados do século XX, concretamente em 1949, quando António Cunha celebra em Viana do Castelo a escritura da constituição da Sociedade Irmãos Cunha, Lda. Na sua génese encontra-se a indústria de transportes automóveis e a exploração de circuitos turísticos.  

Ao longo de mais de meia centúria, o Grupo AVIC diversificou a sua atividade, não se circunscrevendo apenas ao transporte de passageiros e às viagens turísticas, mas também à restauração e à animação. A forma como cresceu e diversificou a sua atividade, são demonstrativos de uma visão pioneira, arrojada e, acima de tudo, de forte pendor humanista. 

A AVIC desempenha um papel de vital importância numa das maiores indústrias da hodiernidade portuguesa – o turismo – pelo que possui diversas agências espalhadas pelo país, cujo prestígio da sua atividade extravasa as fronteiras nacionais.

A sua sede localiza-se em Viana do Castelo, contando com balcões no setor dos transportes em Lisboa, Figueira da Foz, Porto, Póvoa de Varzim, Vila Verde, Ponte do Lima, Paredes de Coura e Melgaço. No setor das viagens possui balcões em Viana do Castelo, Arcos de Valdevez, Barcelos, Braga, Caminha, Esposende e Monção.

Não obstante, ao longo dos anos a empresa desempenhou um papel fundamental, não se limitando às fronteiras do seu próprio concelho, colaborando no alcance de novos horizontes para todos aqueles e aquelas que dela puderam fruir. 

Recordemos que, há pouco mais de meia centúria atrás, o automóvel pertencia a algumas elites e que, naturalmente, as vias de comunicação, quando existiam, eram muito parcas e repletas de perigos. Em meados do século XX instalava-se em Portugal um novo paradigma de mobilidade, em que o automóvel impunha novas abordagens no planeamento urbanístico, Braga não foi exceção, com a abertura de novas ruas e, consequentemente, perdendo algum do seu património cultural, como foi o caso da Capela de Santo António da Praça dos Touros, junto à atual Praça do Município.

O distrito de Braga foi subsidiário da visão de António Cunha, na medida em que o seu arrojo fomentou o desenvolvimento económico e social da cidade de Braga e concelhos limítrofes, através da “carreira pública” – Vila Verde – Braga.

Há uns dias a esta parte, foi inaugurado um novo autocarro, comemorativo do Centenário de António Cunha, cujo visual é fiel ao seu primeiro autocarro – Fiat – titular da Licença n.º 1 (1958), para a realização de excursões em Portugal.

Talvez hodiernamente se torne tarefa hercúlea para a maioria dos jovens pensar um mundo sem mobilidade, sem carros elétricos, sem trotinetas, sem vias de comunicação para aqui e para acolá, sem ligações ferroviárias, muitas delas baseadas na mobilidade sustentável, etc., todavia, nem sempre assim foi. O obscurantismo promovido pela falta de transportes, votou o povo à condição redutora de horizontes curtos que a vida impunha por razões distintas.

Nessa esteira, o pioneirismo de António Cunha permitiu que muitos pudessem sonhar com uma vida nova, um mundo novo, alargando-lhes os horizontes. E, as gentes da cidade de Braga, e não só, devem gratidão a esse ilustre empreendedor que sonhou um Portugal próspero e feliz.

A grandeza das realizações de António Cunha, continuadas pelo seu filho, Valdemar Cunha, e pelo seu sobrinho, Ivo Cunha, e toda uma equipa dedicada e profissional, encontram na diacronia a vontade de servir um desígnio maior – tornar Portugal um país coeso, harmonioso, um país de concretizações, de esperança, fraterno e solidário – e, disso são sinónimos as muitas ações e realizações, tais como a criação da Fundação Santoinho, em 2014, incorporando o Museu dos Transportes e o Museu Etnográfico, estimando, divulgando e promovendo a nossa cultura material e imaterial.

Além disso, apesar da sua sobeja distinção e fama, a Quinta de Santoinho é o expoente máximo onde se congrega a tradição, a luz e a alegria, intrínsecas das gentes minhotas. Recordando José Augusto Vieira, insigne personalidade de Valença do Minho, é motivo para referir que “o Minho é o jardim de Portugal” – e, as suas gentes, são quem o cuida!