Não é transmitido pelo ar, mas não é por isso que deixa de ser uma ameaça global. O fungo Candida auris, identificado em 2009 e já detetado em 60 países, Portugal incluído, contagia-se por contacto entre doentes, entre profissionais de saúde ou com superfícies e equipamentos contaminados. Uma contaminação que, pelas suas características, ocorre sobretudo em unidades de cuidados de saúde, entre eles hospitais ou lares, e coloca em particular risco as “pessoas hospitalizadas ou com o sistema imunitário fragilizado”, destaca o infecciologista Daniel Silva Coutinho à Delas.pt.

O médico detalha que os “sinais e sintomas dependem do local de infeção, sendo mais comum a infeção da corrente sanguínea, a candidemia”. Esta, prossegue o especialista dos Lusíadas, do Porto, manifesta-se “por febre persistente, arrepios, mal-estar geral e sinais de sépsis que não melhoram com antibióticos”.

“O tratamento deve ser orientado por especialistas e baseia-se, na maioria dos casos, em antifúngicos da classe das equinocandinas, com vigilância rigorosa, uma vez que o fungo pode desenvolver resistência rapidamente”, alerta o médico.

Médico infecciologista Daniel Silva Coutinho (Foto: DR)

Mas como evitar? “A prevenção assenta em medidas rigorosas de controlo de infeção nos hospitais, como higiene das mãos, limpeza adequada do ambiente e identificação precoce dos casos”, enumera Daniel Silva Coutinho, que lembra que o que torna a Candida auris mais ameaçadora do que outras espécies do género é que “consegue sobreviver durante longos períodos em superfícies e equipamentos médicos, facilitando a sua transmissão em ambientes de cuidados de saúde”.

Portugal deteta e estuda oito casos na região Norte

A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) revelou esta terça-feira, 13 de janeiro, que estudou os primeiros casos confirmados em Portugal – oito em 2023, num hospital da região Norte do país – e que “nenhuma das três mortes dos casos de infeção invasiva reportados esteve exclusivamente associada à infeção, mas sim a comorbilidades severas dos doentes”, refere o comunicado citado pela agência Lusa.

Em setembro do ano passado, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) alertou para a rápida propagação nos hospitais deste fungo resistente a medicamentos e pediu medidas para travar a sua disseminação.

Em comunicado, o ECDC indicou que, entre 2013 e 2023, foram registados mais de quatro mil casos nos países da UE/EEE (inclui a Islândia, o Liechtenstein e a Noruega), destacando “um salto significativo” em 2023, ano em que foram divulgados 1.346 casos em 18 países.

A Candida auris é uma levedura que pode colonizar a pele e causar infeções invasivas em doentes com fatores de risco, como doenças graves, tratamentos invasivos e uso de antibióticos e imunossupressores.