Quando anunciou o regresso antecipado da missão na Estação Espacial Internacional, a NASA, agência espacial norte-americana, sublinhou que não se trata de uma emergência, mas existe um “risco persistente” com a saúde de um dos astronautas. O problema e a identidade não foram revelados, mas o especialista em medicina aeroespacial, Pedro Caetano, arrisca, em declarações à TSF, algumas conjecturas. “Podem ser tonturas, problemas visuais, alguns problemas cardiovasculares”, mas também a necessidade de “exames complementares” que não podem ser feitos a bordo da estação espacial.
A falta de um médico entre os quatro astronautas e a ausência de equipamento de diagnóstico, como máquinas de “raio-X e ressonância magnética”, são também apontadas pelo investigador do Instituto Geofísico da Universidade do Aveiro, Rui Moura, que admite ainda um “problema de adaptação”.
O regresso antecipado pode acontecer na noite desta quarta-feira, com a nave a pousar na costa da Califórnia, mas a janela de oportunidade estende-se até domingo.
Pedro Caetano assume que a operação tem riscos acrescidos. Além da viagem, é preciso levar em conta “todo o tempo de preparação da saída, [os riscos] durante a viagem e até depois, o local onde vão aterrar, com uma série de horas em que eles vão ter de esperar pelo apoio médico e depois para serem retirados para um hospital mais próximo”. O perito em medicina aeroespacial, que já trabalhou na NASA, lembra que apesar de serem “uma espécie de super-homens e super-mulheres”, os astronautas também “acabam por ser humanos”. Por isso, “a reabilitação pós-missão é tão ou mais importante do que a preparação na pré-viagem”.
O investigador Rui Moura destaca o custo desta missão espacial. “Cada tripulante custa, em média, cerca de 55 milhões de dólares” e, como a cápsula tem espaço para quatro tripulantes, “o preço comercial anda na ordem dos 220 milhões de dóalares”. Com custos tão elevados, a margem de erro deve ser mínima. Daí que Rui Moura acredite que os detalhes de saúde e da operação acabarão por ser revelados.
“Um dos principais motivos da ida de humanos para o espaço é precisamente perceber em que medida o corpo humano se adapta às condições de viver de forma prolongada no espaço”, explica. Portanto, “nem que seja por uma questão de caso-estudo”, esta operação tem uma “relevância enorme para o futuro da exploração espacial”, com possíveis repercussões na organização de uma futura missão à Lua ou a Marte.
A medicina aeroespacial também poderá usar este episódio como “um exemplo”, admite Pedro Caetano. A operação de regresso será transmitida em directo pela NASA.
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