Uma norte-americana com raízes judaico-alemãs se infiltra na rede de espionagem nazista. Essa é a premissa de um dos melhores filmes de espionagem do início dos anos 90, com um elenco de estrelas tanto na frente quanto atrás das câmeras!
Para David Seltzer, foi preciso coragem para se aventurar em um thriller de espionagem autêntico no início dos anos 1990. O cineasta, então com 50 anos e já renomado como roteirista (ele escreveu o clássico de terror A Profecia), mergulhou em um gênero que, na época, estava longe de ser moderno ou popular.
Pelo contrário, os filmes de espionagem eram vistos como antiquados há anos. Seu auge havia sido nas décadas de 1950 e 1960 (com obras como O Espião Que Veio do Frio, Topázio e Charada) – uma era que já parecia distante.
Seltzer não se deixou abalar por outro fato: os thrillers de espionagem e as histórias de detetive dos anos anteriores, mesmo com atores consagrados, haviam sido, em sua maioria, fracassos de bilheteria. Entre eles, filmes como Busca Frenética, de Roman Polanski, e Espiões Sem Rosto, estrelado por Sidney Poitier e River Phoenix, ambos de 1988.
Um filme que recebeu pouca atenção
Naquele mesmo ano, foi publicado o romance Running on High, de Susan Isaacs, sobre uma funcionária de escritório comum que se esconde em Berlim durante a Segunda Guerra Mundial para espionar os alemães. O estúdio 20th Century Fox adquiriu os direitos e viu em Seltzer a escolha perfeita para a adaptação.
Após seu lançamento em 1992, o filme foi mal recebido pela crítica e também foi um fracasso comercial (arrecadou apenas 21 milhões de dólares mundialmente). No entanto, filmado em locações em Berlim e Potsdam, Uma Luz na Escuridão é muito melhor do que sua reputação sugere e merece ser redescoberto – graças às ótimas atuações e à ambientação realista e envolvente!
Conheça o enredo de Uma Luz na Escuridão

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Nova York, 1940, enquanto a Segunda Guerra Mundial assola a Europa, Linda Voss (Melanie Griffith), de ascendência judaico-alemã, trabalha para o advogado Ed Leland (Michael Douglas). Ela descobre acidentalmente que Leland é um agente dos serviços de inteligência dos EUA. Quando o país declara guerra à Alemanha nazista, Linda se voluntaria para uma missão secreta e perigosa em território inimigo
Ela fala alemão e conhece a cultura local, qualificações ideais para a espionagem. Em Berlim e Potsdam, ela trabalha como governanta e babá para nazistas de alta patente, incluindo o oficial da Wehrmacht Franz Otto Dietrich (Liam Neeson). Sua missão é coletar provas sobre os planos de uma fábrica de foguetes V1 em Peenemünde.
Uma pitada de autenticidade e veracidade

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É verdade que Uma Luz na Noite não está totalmente livre de clichês e de momentos um tanto sentimentais. Além da trama de espionagem, há um romance entre Voss e Leland que nem sempre soa crível. Em várias cenas, Seltzer (que também escreveu o roteiro) parece impor as emoções, em vez de deixá-las fluir naturalmente para o espectador.
Mas essa é praticamente a única fraqueza deste thriller envolvente, preciso e à moda antiga. O filme é visualmente deslumbrante, com uma fotografia belíssima. Seltzer e sua equipe de cenógrafos e diretores de arte deram grande ênfase à autenticidade, o que fica evidente em cada cena. A produção transporta o espectador de maneira convincente para o controle nazista na Alemanha dos anos 1940 em todos os detalhes: desde cenários, adereços e figurinos até decorações, utensílios domésticos, veículos de época e iluminação.
Uma produção complexa e profunda

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Muitas vezes passa despercebido, mas vale destacar: Uma Luz na Noite reuniu uma equipe renomada e experiente, tanto na frente quanto atrás das câmeras. Verdadeiros mestres em suas áreas. O editor Craig McKay já havia trabalhado em clássicos como O Exorcista e O Silêncio dos Inocentes, e Seltzer contratou o especialista em ação Jan de Bont (Duro de Matar, Caçada ao Outubro Vermelho) como diretor de fotografia.
O elenco também era pesado, com atuações magistrais. E, curiosamente, não é Melanie Griffith – claramente a protagonista e presente em quase todas as cenas – quem deixa a impressão mais marcante. São seus colegas masculinos.
Com o cabelo penteado para trás e um olhar penetrante, Michael Douglas inicialmente lembra seu icônico Gordon Gekko do clássico Wall Street – Poder e Cobiça. No entanto, seu personagem aqui, Ed Leland, é muito mais complexo e reservado do que a ganância explícita de Gekko.
O filme está disponível no catálogo do Disney+.