O sucesso de Clair Obscur: Expedition 33 despertou um coro de berros a exigir que todos os jogos sejam projetos AA e que as grandes companhias deviam copiar o trabalho da Sandfall Interactive, a Square Enix que o diga. No entanto, nem todos os produtores recomendam copiar o que outros fizeram, muito menos acabar com os jogos AAA.

Na sua recente conversa com o The Game Business, Josef Fares, o criador de It Takes Two e Split Fiction, entre outros, que venderam milhões de unidades, confessou que está preocupado com as editoras que perseguem modas, especialmente as que já estão a esfregar as mãos a pensar na rentabilidade de projetos AA após Clair Obscur dar tanto que falar.

Fares sente-se otimista com a direção da indústria, mas está preocupado com o entusiasmo em torno de jogos AA.

“Ouves que, após o sucesso de coisas como Clair Obscur: Expedition 33, os jogos AA vão tomar conta, mas eu não conseguiria viver sem jogos AAA. Quero mesmo jogar os blockbusters. Não podes fazer GTA por $10 milhões,” disse Fares na sua conversa com o TGB.

“Precisamos de ambos. É importante não ficar presos nas ideias, como AA é a nova coisa, ou indie é a nova coisa, blah, blah, blah é a nova coisa. Precisamos de diversidade. Espero que as editoras não olhem simplesmente para um jogo como Expedition, que teve um enorme sucesso, e pensem ‘oh, AA é a nova coisa. Vamos fazer apenas isso.’ Não acredito nisso.”

Fares diz que é preciso não esquecer que “uma enorme quantidade de jogos AA” foram lançados em 2025 e ninguém quis saber deles, enquanto várias produtoras estão a tentar inovar no espaço AAA.

“Eu argumentaria que, na verdade, a Naughty Dog está a tentar quebrar barreiras de inovação no orçamento AAA. Diria que a Rockstar está a fazer isso. A Nintendo, na maioria do tempo, faz isso. Podes tentar criar um grande AAA, mas também correr riscos e inovar.” Orçamentos de $100 milhões deixam qualquer companhia assustada, mas é possível inovar e surpreender com esses projetos.