Para os astrônomos, o pensamento sempre foi direto: se um objeto possui a massa de um planeta e exerce atração gravitacional sobre sua estrela hospedeira, ele deve ser um planeta. Foi com base nessa premissa que especialistas passaram anos catalogando milhares de mundos orbitando estrelas distantes.
No entanto, uma alternativa fantasmagórica pode estar à espreita no universo primordial. Em um novo estudo publicado no servidor de pré-impressão arXiv, que ainda aguarda revisão por pares, pesquisadores sugerem que alguns desses exoplanetas detectados podem ser, na verdade, algo muito mais exótico: buracos negros primordiais.
De acordo com informações da revista Live Science, esses não seriam buracos negros comuns, como aqueles nascidos de estrelas mortas. Na verdade, seriam hipotéticos resquícios do próprio Big Bang, formados quando o universo recém-nascido era uma mistura caótica de energia sob alta pressão.
O segredo da massa
Sendo assim, é possível que esses “mini” buracos negros tenham a massa da Terra ou até de Júpiter, mas sejam tão pequenos que podem ser comparados ao tamanho de um limão.
Atualmente, os métodos para encontrar planetas são excelentes para medir a massa, mas pouco eficazes para determinar o tamanho real do objeto. Um exemplo comum é a técnica da velocidade radial, que observa a estrela oscilar devido à gravidade de algo em sua órbita. O problema é que um planeta e um buraco negro com a mesma massa produzem exatamente a mesma oscilação.
Rumo à confirmação
Para resolver esse mistério, os cientistas analisaram objetos que fazem as estrelas balançar, mas nunca foram vistos cruzando a face delas, o que é chamado de trânsito. Se um corpo exerce atração gravitacional e não bloqueia a luz da estrela, ele pode ser pequeno demais para ser um planeta comum.
Embora existam candidatos suspeitos, como o Kepler-21 Ac, a maioria pode ser apenas planetas com órbitas inclinadas. A confirmação deve vir na próxima década com novos telescópios da NASA, que buscarão sinais da radiação Hawking para provar se esses nômades são, de fato, buracos negros.