O CytoDiffusion, como foi batizado o sistema, utiliza tecnologia similar à dos geradores de imagens como o DALL-E para analisar detalhadamente a aparência de células sanguíneas sob o microscópio. Diferentemente de ferramentas convencionais de IA médica, que classificam imagens em categorias predefinidas, o novo sistema estuda variações sutis na morfologia celular, reconhecendo o espectro completo de aparências normais e identificando anomalias raras que podem indicar doenças.
Os resultados dos testes surpreenderam até os pesquisadores. Simon Deltadahl, do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica da Universidade de Cambridge e primeiro autor do estudo, explicou, em comunicado da universidade, que o sistema não apenas foi ligeiramente mais preciso que humanos, mas se destacou especialmente em reconhecer suas próprias limitações. “Onde ele realmente se sobressaiu foi em saber quando estava incerto. Nosso modelo nunca diria que estava certo e depois estaria errado, mas isso é algo que os humanos às vezes fazem”, afirmou.
Apesar dos resultados robustos, os pesquisadores enfatizam que o CytoDiffusion não pretende substituir médicos treinados. O professor Parashkev Nachev, da University College London e coautor sênior do estudo, destacou que o verdadeiro valor da IA na saúde não está em aproximar a perícia humana com menor custo, mas em possibilitar poder diagnóstico, prognóstico e prescritivo maior do que especialistas ou modelos estatísticos simples podem alcançar sozinhos.