PÓS-JOGO
No entender de José Mourinho, o desempenho do Benfica nos quartos de final da Taça de Portugal, diante do FC Porto, justificava um desfecho diferente (1-0) face às oportunidades de golo criadas nesta quarta-feira, 14 de janeiro, no Estádio do Dragão.
Antes da conferência de imprensa, na zona de entrevistas rápidas da RTP, o treinador das águias fez uma primeira análise da partida, vincando a injustiça da derrota face ao domínio exercido pelo Benfica durante todo o clássico.
“As justificações são óbvias. A melhor equipa perdeu, mas a melhor equipa não fez golo e sofreu um. É simplesmente isso. Controlámos o jogo a nosso bel-prazer, contra uma equipa que tem muita intensidade, seja a defender, seja a atacar. Uma equipa com DNA de verdadeiros atletas, gente que corre muito, gente que pressiona muito, gente que recupera bola e profundiza muito, mas o Benfica dominou o jogo desde o princípio até ao fim”, afirmou.
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Na sequência, José Mourinho também falou do impacto das ausências de Otamendi e Barrenechea – que esteve no banco, mas, segundo o técnico, bastante limitado – na defesa do pontapé de canto que originou o golo do FC Porto ao minuto 15.
“Sofremos um golo de bola parada, onde, em função de algumas ausências, os nossos jogadores que estavam fora da zona, em marcação individual, eram Dahl, Barreiro e Dedic [faz um gesto relativo à baixa estatura dos jogadores] a marcarem Bednarek, Froholdt, Kiwior e companhia. Há dois dias trabalhámos muito as situações de bola parada defensiva, porque sabíamos que não tínhamos Otamendi, que não tínhamos Enzo [Barrenechea], que estava no banco, mas seria um risco demasiado grande fazê-lo jogar”, disse.
Lamentando a grande oportunidade desperdiçada por Pavlidis, aos 90′, o comandante das águias deixou elogios ao desempenho dos seus jogadores.
“O jogo não teve muitas oportunidades de golo, mas houve um domínio que me pareceu claro contra uma equipa que está em alta de confiança e num período em que os seus adeptos aceitam, pelo seu grande momento, que a equipa esteja 45 minutos no seu meio-campo a defender, em casa. E o golo que falhámos no último minuto é elucidativo daquilo que eu lhe estava a dizer. Se eu no jogo passado, com o Braga, estava chateado com os jogadores, hoje estou chateado pelos jogadores, que é uma coisa completamente diferente. Acho que o Benfica fez um bom jogo“, reforçou.
A finalizar, o técnico falou da “situação difícil” que herdou na chegada ao Clube e foi assertivo na resposta a uma questão sobre uma eventual reação negativa dos adeptos dirigida à sua pessoa no regresso ao Estádio da Luz, que ocorrerá no próximo dia 25 de janeiro ante o Estrela da Amadora, na 19.ª jornada da Liga Betclic: “Porque é que me está a fazer essa pergunta diretamente? Acha que eu sou importante? Não sou importante. O Benfica é importante, eu não sou importante.”
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OPORTUNIDADES PARA UM DESFECHO DIFERENTE
“[O Benfica merecia um resultado diferente?] Acho que sim, acho que sim. Não é fácil jogar contra o FC Porto, principalmente no Dragão, e fazê-lo da maneira como nós fizemos, acho que merecíamos obviamente mais. Acho que o golo falhado, a oportunidade falhada no minuto 90, é elucidativa daquilo que eu estou a dizer. Não tivemos problemas no jogo, controlámos bem, com todos os problemas que tivemos com ausências, com substituições forçadas, os rapazes estiveram muito bem no jogo. Obviamente que faltou o golo, que podíamos ter feito, tanto na 1.ª como na 2.ª parte, sem 10 oportunidades de golo, mas as suficientes para fazer e para ter um resultado completamente diferente.”
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SEM REPAROS AOS JOGADORES
“[Justificação para lançar Prestianni e Sidny no 11] O objetivo foi ter jogadores abertos, que limitassem o jogo ofensivo dos laterais do FC Porto, e que, ao mesmo tempo, proporcionassem situações como aquelas que conseguimos, alguma pelo Sidny, obviamente a mais flagrante de todas pelo Schjelderup, que depois faz a assistência para golo. Com as nossas ausências, tínhamos de ter bola, tínhamos de ser mais ofensivos, tínhamos de ser mais agressivos. A equipa sem Otamendi, a equipa sem Enzo [Barrenechea], a equipa com [Richard] Ríos, que já começou limitado, e que depois foi embora, perde obviamente fisicalidade, contra uma equipa que vive da fisicalidade. O próprio golo de bola parada: pelas nossas limitações, metemos os jogadores mais altos a defender zona, e depois temos os jogadores que estão em marcação. São jogadores de um metro e meio a marcar gigantes. Portanto, o golo aparece numa situação que nós temíamos que pudesse acontecer. Depois, controlo absoluto; não se viu jogo ofensivo do adversário, não se viram profundidades, não se viram transições, não se viram oportunidades de golo, não se viram remates à baliza. Por isso é que eu digo: eu estou contente com a minha equipa. Se há meia dúzia de dias eu estava chateado com a minha equipa, eu hoje estou chateado é com o resultado da minha equipa, não com a minha equipa, não com os meus jogadores. Portanto, obviamente, ganhar é o mais importante, muitas das vezes… Depende das perspetivas – há pessoas que dizem que ganhar não é o mais importante –, eu continuo a dizer que ganhar é o mais importante, não interessa como. O FC Porto ganhou, não interessa como, parabéns. E um abraço aos meus jogadores, a quem não tenho nada a apontar, honestamente.”
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GANHAR AO RIO AVE É O PRÓXIMO OBJETIVO
“[Impacto da derrota em termos pessoais uma semana depois da eliminação da Taça da Liga, e na época desportiva] Sim, mas para que é que referes o impacto ‘pessoalmente’? [Veio para ganhar] Eu estou sempre para ganhar, e estou para ganhar sábado. Difícil… [Ganhar a competição] Quando não há competições para ganhar, há jogos para ganhar. E sábado é mais um. Difícil, Rio Ave difícil. Jogar aqui, da maneira como nós jogámos, ao ritmo a que jogámos, contra uma equipa que exige muito de ti sob o ponto de vista físico, ir para Lisboa e voltar daqui a 48 horas para jogar com um Rio Ave fresco, que se prepara e que também tem uma boa equipa, seguramente é difícil. Nós somos uma equipa que tem tantas responsabilidades e que tem tantos jogos importantes: a meia-final da Taça da Liga, agora estes quartos de final, depois o Campeonato, depois a Juventus. Somos uma equipa com tantos objetivos e responsabilidades, que com o grupo que nós temos, limitado, com tantas ausências como nós temos tido, é complicado. Mas o objetivo não muda. Há um jogo para tentar ganhar sábado.”
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JOGO EXIGIA PERFIL DE SUDAKOV
“[Tentado a substituir Richard Ríos por Barrenechea?] Não, porque não estávamos numa situação defensiva. Se estivéssemos numa situação de dificuldades ao nível do controlo do jogo, onde eu pudesse antecipar dificuldades a esse nível, apesar de o Enzo [Barrenechea] não treinar há já não sei quantos dias… Mas para além de não treinar, a lesão ainda existe – não é que não existisse, mas ele disponibilizou-se para vir à luta –, e se o jogo exigisse Enzo, o Enzo entraria. Só que o jogo não exigia Enzo. Nós tínhamos bola, nós estávamos a jogar, estávamos a encontrar espaço para jogar, o jogo exigia mais Sudakov do que Enzo. Se depois você me disser ‘o Sudakov teve ali 2 ou 3 situações entre as linhas em que podia ter sido mais incisivo, em que podia ter sido mais decisivo e não foi’, estamos de acordo. Agora, sob o ponto de vista do perfil de jogador no perfil de jogo que estávamos a jogar… e viu-se que a equipa precisava mais de Sudakov do que de Enzo.”
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A MENTALIDADE DE RICHARD RÍOS
“[Lesão de Richard Ríos] É uma lesão importante. É uma lesão importante… Um jogador com a sua mentalidade encara a lesão de uma maneira diferente do que outro jogador pode encarar. Há jogadores que com este tipo de lesão não pensam duas vezes e pensam mais no futuro do que provavelmente no presente, e tomam decisões a pensar mais no futuro do que no presente. Eu acho que este é o tipo de jogador que não vai pensar no futuro. Vai pensar em ajudar a equipa quando a equipa mais precisa, e a equipa precisa muito nos próximos dias. Não quero dizer que ele jogue com o Rio Ave – acho que já estamos a falar quase de sobre-humano –, mas acho que ainda nos vai ajudar nesta época, acho eu.”
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“DESISTIR, NUNCA!”
“[É fácil motivar o plantel para o que ainda falta da temporada?] Sim, sim. É Benfica, sou eu, é fácil de motivar. Acho que a esse nível não temos nenhum tipo de problema. Quem joga no Benfica tem de dar sempre, há sempre coisas para jogar, há sempre objetivos para atingir. O objetivo agora obviamente é ganhar o próximo jogo, mas há sempre objetivos. Mais do que aquilo que eu sou como treinador, aquilo que eu sou enquanto pessoa: desistir, nunca!”