José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o ‘resort’ algarvio de Vale do Lobo.

José Sócrates pediu esta quinta-feira a nulidade das sessões de julgamento em que participou a advogada oficiosa. O antigo primeiro-ministro e principal arguido da Operação Marquês acusa Ana Velho de nem sequer tem levantado o processo no portal Citius.
“Viu ao menos a acusação? A decisão instrutória de 4000 páginas? O recurso dessa decisão? O aresto que na Relação de Lisboa decidiu esse recurso? Teve, ou tem, alguma noção da importância relativa da prova produzida, hoje e ontem, ante o seu completo mutismo, quanto à matéria em debate?” – lê-se num documento, assinado pelo advogado José Preto, a que a SIC teve acesso.
José Preto critica ainda as “declarações públicas confrangedoras” da advogada oficiosa, que “declarou ter visto alguma coisa dos autos”, “significando isso, evidentemente, que nada viu”.
Recorde-se que José Sócrates ficou, pela segunda vez, sem advogado na Operação Marquês. Por motivos de saúde, José Preto renunciou ao cargo e, por isso, o tribunal decidiu avançar com os trabalhos com a defesa oficiosa. Ainda assim, alegando que Sócrates não foi ainda notificado da sua renúncia, José Preto continua a defender o arguido.
Operação Marquês tem 21 arguidos
José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o ‘resort’ algarvio de Vale do Lobo.
No total, o processo conta com 21 arguidos que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados.
Os ilícitos terão sido praticados entre 2005 e 2014 e no primeiro semestre deste ano podem prescrever, segundo o tribunal, os crimes de corrupção mais antigos, relacionados com Vale do Lobo.
O julgamento decorre desde 3 de julho de 2025 no Tribunal Central Criminal de Lisboa.