O olhar do profissional de jornalismo e fotografia diante das grandes enchentes mostram a realidade das cheias que devastaram grande parte da região. A Jornalista e fotógrafa Sofia Kich, esteve no cenário de destruição nas duas cheias que atingiram o Vale do Taquari. Em setembro de 2023 e a maior da história, em maio de 2024. Moradora de Cruzeiro do Sul, ela conta que separar o profissional do ser humano foi extremamente difícil. “Durante as últimas duas grandes cheias o meu trabalho sofreu uma transformação muito grande. Eu não conseguia fotografar as pessoas, era muito difícil, porque eu conheço as pessoas e as suas histórias”, afirma Sofia.

Há 15 anos, a fotógrafa registra momentos felizes de famílias. “Sempre coisas boas, momentos felizes”, e por conhecer as pessoas, preferiu fotografar cenários do que estava acontecendo. “A gente tem um carinho. Eu acredito que além de ser profissional a gente precisa ser humano”.

Sofia se deparou com muitos momentos de vulnerabilidade das vítimas. Casas indo embora, carros, móveis, famílias desesperadas. A fotógrafa conta que diante da tragédia, teve que ir além do sentimental. “Eu vi muita coisa triste, mas também foi uma evolução pessoa e emocional muito grande”.

A enchente de maio destruiu bairros e localidades inteiras de Cruzeiro do Sul, assim como de diversas outras cidades da região. Hoje o Vale do Taquari se reconstrói, sai ainda mais fortalecido e com expectativas de um futuro ainda mais próspero. Comunidades inteiras se uniram para renascer, em especial Cruzeiro do Sul. Novas pontes foram e serão reconstruídas, casas sendo edificadas em locais longe da força da água e em prol das famílias. É a vida que recomeça.