Um homem foi atingido a tiro na perna por um elemento da agência de imigração dos EUA, conhecida pela sigla ICE, em Mineápolis, aumentando ainda mais a tensão na cidade que tem sido palco de muitos protestos contra as políticas anti-imigração da Casa Branca.
O incidente ocorreu às 18h50 (mais seis horas em Portugal continental) de quarta-feira, quando uma equipa do ICE estava a realizar “uma operação de trânsito direccionada” contra um “imigrante ilegal da Venezuela”, de acordo com o Departamento de Segurança Interna. O indivíduo terá resistido à detenção e duas outras pessoas “saíram de um apartamento próximo e também atacaram” o agente que acabou por “disparar um tiro defensivo para proteger a sua vida”.
As autoridades municipais confirmaram que um homem foi hospitalizado com ferimentos pouco graves, tal como um agente do ICE, segundo a BBC.
O novo episódio de violência a envolver a agência governamental de combate à imigração ilegal em Mineápolis poderá aumentar ainda mais a tensão vivida na cidade que, na última semana, tem sido o epicentro da contestação popular à política anti-imigração do Presidente, Donald Trump.
Poucas horas depois do tiroteio, centenas de pessoas concentraram-se no local onde o homem foi baleado. Os agentes recorreram a granadas de fumo para dispersar a multidão.
Alguns manifestantes atiraram pedras, gelo e até fogo-de-artifício contra as forças de segurança, apesar dos apelos das autoridades para a contenção.
“Tenho visto comportamentos do ICE que são nojentos e intoleráveis”, afirmou o mayor de Mineápolis, Jacob Frey, acrescentando que, porém, os manifestantes não devem responder com actos violentos. “Não podemos contrariar o caos de Donald Trump com mais caos. A todos aqueles que estão a morder o isco esta noite, parem. Não estão a ajudar os imigrantes sem documentos da nossa cidade”, afirmou.
Apelos semelhantes foram feitos pelo chefe da polícia da cidade, Brian O’Hara, que confirmou que parte dos manifestantes tem participado em “actos ilegais” durante os protestos. “Não precisamos que a tensão aumente ainda mais”, afirmou.
Mineápolis tem vivido dias de grande violência desde que Renee Nicole Good, uma mulher de 37 anos, foi morta por um agente do ICE durante uma operação. O vídeo do momento do disparo mostra que a mulher não aparentava representar perigo para os agentes que a cercavam, contrariando a versão da agência.
Vários procuradores federais apresentaram a demissão denunciando pressões do Departamento de Justiça para que a viúva de Good seja investigada por alegadamente pertencer a grupos considerados “extremistas”, considerando que se trata de uma tentativa por parte da Administração de desviar o apuramento de responsabilidades dos agentes do ICE no tiroteio.
Com a tensão ao rubro, foram mobilizados três mil agentes do ICE para Mineápolis, naquela que é, segundo a Administração, a maior operação da história do Departamento de Segurança Interna.
A militarização da cidade de pouco mais de 400 mil habitantes tem deixado a população local revoltada. Nos últimos dias, formaram-se grupos de voluntários que se juntam para documentar e, em alguns casos, impedir operações do ICE contra imigrantes sem documentos, frequentemente recorrendo a métodos violentos.
“Parece que a nossa comunidade está sob um cerco feito pelo nosso próprio Governo federal”, disse ao New York Times o congressista estadual democrata Michael Howard.
Ainda antes do mais recente incidente, o governador do Minnesota, Tim Walz, apelou a Trump para pôr fim à “ocupação” feita pelos agentes do ICE em Mineápolis.