Dados preliminares do estudo TRANSfORM mostram que 87,9% dos doentes com lúpus em análise em Portugal estão sob tratamento prolongado com corticoides, acima dos limites considerados seguros. A associação de doentes alerta para a necessidade de garantir acesso a alternativas terapêuticas
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A Associação de Doentes com Lúpus divulgou resultados preliminares do estudo TRANSfORM, que analisa a exposição a corticosteroides na população portuguesa com Lúpus Eritematoso Sistémico (LES). Os dados, apresentados na Porto Autoimmune Meeting 2025, revelam que 87,9% dos participantes estão em tratamento prolongado com corticosteroides orais, por período igual ou superior a três meses. Este percentual situa-se acima do que as diretrizes internacionais consideram seguro para a fase de manutenção.
A investigação, realizada em farmácias comunitárias de todo o país, incluiu numa análise preliminar 203 adultos com diagnóstico de LES. A maioria são mulheres (87,2%), com idade média de 56,3 anos, um perfil demográfico que reflete a epidemiologia conhecida da doença em Portugal. Mais de metade dos casos registava terapêutica ativa com corticoides e, dentro deste grupo, cerca de um terço mantinha uma dose diária fixa acima do limite recomendado para manutenção. O estudo também identificou uma elevada presença de comorbilidades, como hipertensão arterial, hipercolesterolemia, patologias cutâneas e excesso de peso, fatores que podem agravar o risco de complicações associadas ao uso destes fármacos.
Rita Mendes, Presidente da Associação de Doentes com Lúpus, comentou que “estes resultados confirmam aquilo que muitos doentes já sentem na pele — o uso prolongado de corticoides continua a ser uma realidade, com consequências graves para a saúde e a qualidade de vida”. Mendes sublinhou a “urgência em garantir o acesso equitativo a terapêuticas biológicas, que permitam reduzir a dependência de corticoesteroides e controlar a doença de forma eficaz”.
As chamadas abordagens “steroid-sparing”, que incluem imunossupressores e terapêuticas biológicas direcionadas a mecanismos específicos do LES, permitem reduzir ou suspender a necessidade de corticoides a longo prazo. Estas opções podem diminuir os efeitos adversos associados aos corticosteroides, como aumento de peso, hipertensão, diabetes, osteoporose e maior risco cardiovascular, melhorando a segurança e a qualidade de vida dos doentes.
A Associação considera que dados obtidos em contexto nacional são fundamentais para alinhar a prática clínica com recomendações internacionais e para apoiar políticas públicas que garantam acesso a tratamentos mais seguros. A entidade, parceira do estudo TRANSfORM, acompanhará o seu desenvolvimento para que as conclusões se traduzam em melhores opções terapêuticas para os doentes em Portugal.
O estudo TRANSfORM é uma parceria entre a AstraZeneca, o ICBAS – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, a Universidade da Beira Interior, o Centro de Estudo e Avaliação em Saúde (CEFAR) da Associação Nacional das Farmácias e a Associação de Doentes com Lúpus.
PR/HN/MM
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