“Se nada mudar, ninguém vivo hoje verá a igualdade de género concretizada ao longo da vida”, alerta Cláudia Azevedo, presidente executiva da Sonae, num artigo de opinião publicado esta quinta-feira no site do World Economic Fórum, no âmbito da Reunião Anual do Fórum Económico Mundial que decorre em Davos na próxima semana.

Tendo como base o WEF’s Global Gender Gap Report 2025 (Relatório Global sobre a Diferença de Género 2025 do WEF), a gestora afirma que apenas 68,8% da disparidade foi eliminada a nível mundial e “ao ritmo atual, a paridade plena demorará mais de um século a ser alcançada”.

E, mesmo na Europa, “o progresso é desigual”: “As mulheres representam atualmente 35,8% de todos os membros dos conselhos de administração das maiores empresas cotadas da UE”. É “um aumento significativo” face aos 8,2% de 2003, de acordo com dados do European Institute for Gender Equality (Instituto Europeu para a Igualdade de Género), mas quando o foco passa para “o verdadeiro poder operacional”, apenas 23,9% dos membros dos conselhos executivos na UE são mulheres, o que significa, na prática, que “as mulheres são cada vez mais incluídas nos espaços de decisão, mas ainda não são, de forma consistente, escolhidas para os liderar”, sublinha.

Quanto às quotas, “são apenas parte da equação. Garantem representação, mas não garantem inclusão. Não asseguram acesso equitativo à influência, nem promoções justas para os cargos operacionais de topo. É aqui que a liderança organizacional tem de intervir”, sustenta Cláudia Azevedo convicta de que “quando os líderes estão comprometidos com a paridade, as organizações avançam”, mas “quando hesitam, o progresso estagna” e “aceitar o progresso exige tratar a paridade de género como uma prioridade central de gestão”.

No caso da Sonae, revela, a percentagem de mulheres em cargos de liderança aumentou de 34% para 41% entre 2019 e 2024 e a meta é atingir os 45% já em 2026, precisa no artigo “Da intenção ao impacto: como a responsabilização da liderança impulsiona a igualdade de género”.

No entanto, “em alguns mercados as organizações estão a recuar nos esforços de Diversidade, Equidade e Inclusão” em resposta a pressões políticas e outras, nota considerando estar em causa um erro moral, mas também estratégico, até porque há investigações a provar que os consumidores estão a valorizar estes fatores nas suas opções de compra e os trabalhadores, em especial os mais jovens, “tomam cada vez mais decisões baseadas em valores sobre onde querem trabalhar”.

Mais: “O mais recente relatório Diversity Matters da McKinsey mostra que as empresas com equipas executivas mais diversas têm 39% mais probabilidade de superar financeiramente os seus pares. Perspetivas diversas impulsionam a inovação, reforçam a gestão de risco e constroem resiliência, qualidades indispensáveis num mundo em rápida transformação”, conclui.