O ano político europeu arranca sob o signo de velhas disputas e novas pressões geopolíticas, com a Gronelândia no centro das atenções após os Estados Unidos reafirmarem a intenção de assumir o controlo da ilha por razões de segurança nacional. 2026 ainda mal começou e já está marcado por acontecimentos que prometem definir o rumo da Europa. Entre tratados comerciais, eleições e conflitos, estas nove datas destacam-se como decisivas para o continente, segundo análise do ‘El Confidencial’.
Janeiro – Acordo UE-Mercosul aprovado
Após 25 anos de negociações, a União Europeia aprovou por maioria qualificada o acordo de livre-comércio com o Mercosul, composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A votação contou com oposição de França, Polónia, Áustria, Hungria e Irlanda, com protestos de agricultores que ocuparam ruas com tratores. A assinatura oficial está prevista para esta sexta-feira, no Paraguai. A presidente da Comissão Europeia comprometeu-se a disponibilizar €45 mil milhões de financiamento a partir de 2028 para convencer os membros indecisos.
14 de janeiro – Reunião UE-EUA sobre a Gronelândia
O vice-presidente americano JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio encontraram-se na Casa Branca com o ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, para discutir a ilha. Trump declarou publicamente que a Gronelândia estaria “muito melhor administrada” sob controlo dos EUA, provocando uma intensificação da presença militar dinamarquesa no território autónomo.
24 de fevereiro – Quatro anos de guerra na Ucrânia
A data assinala o quarto ano do conflito. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que o país está “90% pronto” para um acordo de paz, mas reiterou que não aceitará soluções que comprometam a soberania nacional.
15 e 22 de março – Eleições municipais em França
Os eleitores franceses irão às urnas em dois turnos, nos dias 15 e 22 de março, num processo descrito como “sem precedentes”. A eleição servirá de barómetro para as presidenciais de 2027. Pela primeira vez, socialistas, comunistas e verdes concorrem juntos, enquanto a direita e a extrema-direita disputam fortemente as prefeituras, com destaque para Paris, Marselha e Lyon, onde o sistema de votação sofreu alterações.
Abril – Eleições parlamentares na Hungria
As eleições legislativas húngaras, previstas para abril, serão um teste crucial para Viktor Orbán e o seu governo “iliberal”, mantendo Bruxelas atenta às condicionantes sobre Estado de Direito. A oposição, liderada pelo Partido Respeito e Liberdade (TISZA) de Péter Magyar, poderá alterar significativamente a balança política e influenciar decisões europeias sobre sanções e apoio à Ucrânia.
14 a 16 de junho – Cimeira do G7
Inicialmente prevista para 14 a 16 de junho, a cimeira foi adiada para 15 a 17 de junho, em Évian-les-Bains, França, para evitar conflito com um evento nos EUA. A reunião juntará os líderes das sete maiores economias do mundo e servirá para debater questões globais de economia, segurança e mudanças climáticas.
7 e 8 de julho – Cimeira da NATO na Turquia
A Turquia acolherá a próxima cimeira da NATO nos dias 7 e 8 de julho. O Governo dinamarquês alertou que qualquer ataque à Gronelândia poderia comprometer seriamente a Aliança Atlântica e a segurança europeia, sublinhando a sensibilidade geopolítica do encontro.
31 de agosto – Prazo final para os Fundos de Recuperação
Os Estados-membros da UE devem implementar as reformas e absorver os recursos do Fundo de Recuperação até 31 de agosto, último prazo do ciclo de 2026. A pressão sobre países como Grécia poderá agravar tensões políticas e sociais internas.
Outubro – Eleições gerais nos países nórdicos
As eleições gerais na Suécia e na Dinamarca estão marcadas para outubro de 2026. Em ambos os países, a imigração e as políticas de asilo dominarão a agenda política. Na Dinamarca, o resultado poderá reforçar a posição da primeira-ministra Mette Frederiksen face às pressões externas, incluindo o crescente interesse americano na Gronelândia.
Gronelândia: a ameaça que paira sobre o Atlântico Norte
No final do calendário europeu, permanece a questão da Gronelândia. Trump mantém a ambição de adquirir a ilha, reafirmada pela Casa Branca como prioridade de segurança nacional. A Dinamarca reforçou a sua presença militar, enquanto a população gronelandesa depende economicamente de Copenhaga. Qualquer tentativa de mudança de soberania terá impacto direto na NATO e na política transatlântica, tornando a ilha um dos focos estratégicos mais sensíveis de 2026.