James Cameron falou sobre o futuro de Avatar, admitindo que a luz verde para Avatar 4 e 5 não está garantida e que a única forma de continuar é encontrar um método mais económico de produzir os filmes.
Os filmes da saga Avatar são conhecidos pelos seus orçamentos astronómicos, historicamente justificados por receitas de bilheteira que quebram recordes. O primeiro Avatar (2009) continua a ser o filme com a maior receita de bilheteira: 2,9 mil milhões de dólares, e Avatar: O Caminho da Água (2022) ocupa o terceiro lugar com 2,3 mil milhões de dólares.
No entanto, os números mais recentes indicam que Avatar: Fire and Ash atingiu os 1,231 mil milhões de dólares globalmente após quatro fins de semana nos cinemas. Embora seja um valor impressionante para qualquer outro filme, está bastante atrás dos seus antecessores. No mesmo período de quatro semanas, O Caminho da Água já tinha somado 1,713 mil milhões e o original 1,335 mil milhões.
Com a Disney a agendar Avatar 4 para 21 de dezembro de 2029 e Avatar 5 para 19 de dezembro de 2031, a questão que se impõe é se o desempenho financeiro atual será suficiente para convencer o estúdio a manter o plano.
Numa nova entrevista ao canal taiwanês TVBS News, Cameron abriu o jogo: o realizador, agora com 71 anos, recusou confirmar taxativamente a produção das sequelas, sublinhando a necessidade de adaptação financeira.
“O estado da indústria cinematográfica está deprimido neste momento”, explicou Cameron. “O Avatar 3 custou muito dinheiro. Temos de ter um bom desempenho para continuar. Temos de ter sucesso e precisamos de descobrir como fazer os filmes Avatar de forma mais barata para continuar”.
Cameron revelou que, se a luz verde for dada, a estratégia passará por filmar as duas sequelas em simultâneo, tal como aconteceu com o segundo e terceiro filmes. “Se continuarmos e fizermos o 4, faremos o 4 e o 5 juntos. O 2 e o 3 foram uma grande história conjunta. O 4 e o 5 são outra grande história”.
Durante a entrevista, Cameron confirmou que tem um papel importante planeado para Michelle Yeo. “A Michelle vai estar definitivamente no 4, se fizermos o 4”, esclareceu o realizador. Cameron revelou ainda detalhes sobre a personagem: “Ela interpretará uma personagem de captura de performance. O nome da personagem é Paktu’eylat. Ela será uma Na’vi”.
A pressão sobre Fire and Ash não é segredo. Já antes da estreia, Cameron tinha admitido no podcast The Town que o filme custou “uma tonelada métrica de dinheiro” e que precisaria de fazer “duas toneladas métricas” para dar lucro.
O cineasta mantém a sua postura de que está pronto para abandonar o projeto se os números não baterem certo. “Estou na terra de Avatar há 20 anos”, disse Cameron, corrigindo-se para 30 anos, dado que escreveu o guião original em 1995. “Se for aqui que acaba, fixe”.
E quanto às pontas soltas narrativas? Cameron tem uma solução simples que dispensa orçamentos de mil milhões de dólares: “Escrevo um livro!”.

Avatar 4 e 5 ainda não receberam luz verde. Fotografia de VCG/VCG via Getty Images.
O contexto em que Fire and Ash chega aos cinemas é complexo. A Disney tem tentado impulsionar as idas às salas de cinema, utilizando até teasers exclusivos de Avengers: Doomsday antes das sessões de Avatar.
Simultaneamente, o mercado enfrenta mudanças sísmicas, motivadas pelo processo de aquisição da Warner Bros. pela Netflix e as condições económicas adversas, que afastam os espetadores das salas de cinema. Até Leonardo DiCaprio expressou recentemente preocupação com o futuro da experiência cinematográfica, temendo que os cinemas se tornem “silos de nicho, como bares de jazz”.
Fotografia de VCG/VCG via Getty Images.
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