António José Seguro (24,2%), André Ventura (22,9%) ou João Cotrim Figueiredo (21,1%). É deste lote de três candidatos que deverão sair os dois finalistas na corrida a Belém, de acordo com a décima primeira entrega da sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN. Seja na comparação com os números do dia anterior, seja com os resultados no arranque do barómetro, os três favoritos registam tendências de crescimento, ao contrário de Henrique Gouveia e Melo (13,4%) e Luís Marques Mendes (12,6%), ambos em queda, qualquer que seja a perspectiva. Acresce que, entre os três primeiros, só há dois com verdadeiras hipóteses de chegar à Presidência: em diferentes cenários de segunda volta, o socialista e o liberal vencem todos os outros, incluindo uma goleada a Ventura. Mas ficariam rigorosamente empatados se se defrontassem um ao outro.
A “tracking poll” está quase a acabar (haverá um último capítulo na noite desta sexta-feira, apenas disponível na edição online) e as conclusões são evidentes. O que começou por ser uma corrida a cinco, muito competitiva, transformou-se num sprint final a três. A margem de erro reduz-se, agora, para mais ou menos 3,3%, em linha com o robustecimento da amostra para 903 inquéritos, o que significa que, mesmo tendo em conta o patamar máximo, Mendes (14,8%) e Gouveia e Melo (15,7%) ficariam de fora de uma segunda volta. Faltam, no entanto, três dias para as eleições e ainda há 10% de indecisos (o valor mais baixo da série). A ameaça ao social-democrata e ao almirante na reserva é real, mas a sentença não é final. Essa só pode ser lavrada no próximo domingo.
Trio da frente foi conquistando votos a todos os outros candidatos
Quando comparamos os resultados dos cinco primeiros com a vaga do dia anterior, Ventura e Cotrim sobem cerca de um ponto percentual e Seguro quase dois pontos. Em sentido inverso, Gouveia e Melo perde dois pontos e Mendes um. Se a comparação se fizer com os resultados de 5 de janeiro (data da primeira entrega desta sondagem diária), as tendências são similares, com Seguro em destaque, com mais cinco pontos, seguido de Ventura, com mais quatro, e Cotrim, com mais três. No sentido inverso, Gouveia e Melo perde seis pontos e Mendes três.
Numa comparação, como na outra, parece confirmar-se a tendência para a concentração de intenções de voto em quem lidera a corrida. Ou em quem os eleitores percecionam como estando mais bem posicionado para chegar à segunda volta. Isso é bastante evidente no indicador “dinâmica de vitória”, que a sondagem também mede todos os dias: é Seguro quem lidera (26%), com mais 15 pontos do que no arranque do barómetro, seguido de Ventura (24%), que foi o mais regular desta bolsa de apostas. Cotrim está com 11% (começou com 5%) e ainda fica atrás de Mendes (13%), o grande favorito no arranque (32%) deste exaustivo estudo ao comportamento eleitoral dos portugueses.
Carregue nos candidatos para ver o resultado
Diferenças começaram na casa das décimas. Agora são substanciais
Outra evidência de que, com o decorrer da campanha, a corrida se foi tornando menos competitiva, reflete-se na diferença entre os primeiros (quando comparamos os resultados de 5 e de 15 de janeiro): entre os dois primeiros, passámos de uma décima para 1,3 pontos percentuais; entre os três primeiros, de quatro décimas para 3,1 pontos; entre os quatro primeiros, de 1,3 pontos para 10,8 pontos; e entre os cinco primeiros, de 3,9 pontos para 11,6 pontos.
Outro dado relevante é que a soma dos três candidatos mais à Esquerda, fica de novo abaixo da soma de cinco pontos nesta reta final (começaram com quase oito pontos), o que parece indicar que também estarão a ser vítimas do chamado “voto útil”: um trio liderado pela bloquista Catarina Martins (1,8%), seguindo-se o comunista António Filipe (1,8%) e o deputado do Livre Jorge Pinto (1,3%). Manuel João Vieira fecha a tabela, com 1%.
A juventude de Cotrim e a geração grisalha de Seguro
Quando se analisam os resultados dos três favoritos à segunda volta nos diferentes segmentos da amostra (género, idade, classe social, geografia e voto partidário), percebe-se melhor que, apesar da proximidade nas intenções de voto, a composição dos seus eleitorados é distinta (nalguns casos, radicalmente distinta). No que diz respeito ao género, e sem distribuição de indecisos, Ventura lidera entre os homens (23%) e Seguro entre as mulheres (21%), mas todos eles têm resultados melhores entre eles, sendo que o líder do Chega e o liberal são claramente os candidatos com maior proporção de testosterona.
As diferenças entre os três são particularmente evidentes quando a análise se centra nas três faixas etárias. Cotrim segue destacado nos 18/34 anos (31,3%) e perde fulgor, de forma clara, à medida que o eleitorado envelhece (menos 19 pontos para o liberal entre os mais velhos). Ventura acusa o mesmo fenómeno que o liberal, mas de forma menos pronunciada, o que ajuda a explicar, aliás, que seja ele quem lidera nos 35/54 anos (24,1%). Seguro, ao contrário, ganha força à medida que o eleitorado envelhece, destacando-se entre os que têm 55 ou mais anos (28,3%), com mais 13 pontos do que aquilo que colhe entre os mais jovens.
André Ventura melhor quanto mais pobre o eleitorado
Relativamente às classes sociais, nota-se, de novo, uma composição bem diferente de cada base eleitoral: o liberal reina entre os que têm melhores rendimentos (26,2%) e perde peso rapidamente até quase desaparecer entre os mais pobres (são menos 20 pontos); o socialista não vence em nenhum destes segmentos, mas é o mais transversal; e o líder do Chega lidera entre os mais pobres (26,6%) e também na classe média (23,7%), mas cai abruptamente entre os que têm melhores rendimentos (13 pontos de diferença entre o fundo e o topo da pirâmide).
No que diz respeito ao território, Seguro é o candidato com resultados mais equilibrados pelo país, mas revela uma fraqueza significativa em Lisboa, quando comparado com Cotrim, que vence com folga na região em redor da capital (29,7%). O liberal depende em grande medida dos lisboetas, apesar de estar dentro da média na Região Norte, porque baixa de forma pronunciada no Centro e no Sul. Ventura, tal como o socialista, revela algum equilíbrio territorial e lidera no Norte (23,3%), mas tem o seu ponto fraco na Região Centro, onde quem segue na frente é Seguro (23,6%), que também lidera no Sul (23,7%).
Toda a gente à procura de uma fatia dos eleitores da AD
Finalmente, e no que diz respeito ao voto partidário das legislativas de maio passado, acentua-se a dispersão entre os eleitores da AD. Marques Mendes termina este barómetro com menos de três em cada dez eleitores de Montenegro, e pouco acima do que consegue Cotrim Figueiredo (um quarto escolhe o liberal). Seguro e Gouveia e Melo também conseguem a sua quota-parte (um pouco mais de um em cada dez dos que votaram AD nas legislativas).
No caso do eleitorado socialista, e a cada dia que passa, Seguro vai convencendo mais gente, estando praticamente a tocar os seis em cada dez que votaram no PS no ano passado. O único rival de peso é o almirante na reserva (um pouco menos de dois em cada dez). Já no Chega, a fidelidade a Ventura ameaça ser quase total: são agora oito em cada dez eleitores a seguirem o líder na sua corrida a Belém.
Ficha Técnica
Considerando a aproximação do final da campanha e as acusações divulgadas na segunda-feira dirigidas ao candidato Cotrim de Figueiredo, foi decidido um aumento do número de entrevistas diárias. Assim, a partir de 13 de janeiro (inclusive), o tamanho da amostra diária passou a ser de 350 entrevistas. A amostra de hoje é de 903 entrevistas recolhidas nos seguintes dias e com as seguintes proporções:
• 12 de janeiro: 203 entrevistas;
• 13 de janeiro: 350 entrevistas.
• 14 de janeiro: 350 entrevistas.
Foram tidos como critérios amostrais o Género, 3 cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos 3 últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 903 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±3,3%.
A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de “telemóvel” mantendo a proporção dos 3 principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI – Computer Assisted Telephone Interviewing).
O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições Presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1848 tentativas de contacto, para alcançarmos 903 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,86%.
A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional.
A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC – Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.