A terceira linha de ação é a mobilização da população através de campanhas consistentes. Para o presidente da APA, “as campanhas são essenciais, mas têm de ser consistentes, repetidas e claras”, sobretudo no caso dos biorresíduos, onde ainda é necessário explicar bem que os restos de comida também têm de ser separados.  

Apesar do cenário exigente, há sinais positivos. Desde o início de 2024, cerca de 200 municípios avançaram com a recolha seletiva de biorresíduos, desviando aproximadamente 250 mil toneladas da recolha indiferenciada. Outros 150 municípios apostaram na compostagem doméstica e comunitária, desviando mais 29 mil toneladas. Existem ainda bons exemplos no território, como Cascais, Maia, Guimarães, Alter do Chão e Póvoa de Varzim, que já conseguem recolher entre 30% e 45% dos seus biorresíduos. Ainda assim, 86,5% dos biorresíduos — cerca de 1,7 milhões de toneladas — continuam a ir parar ao indiferenciado, e há municípios que ainda não implementaram qualquer solução.  

O investimento e os incentivos são outras peças-chave. Segundo José Pimenta Machado, existem hoje vários instrumentos de apoio, como o Plano TERRA, o PRR, o Portugal 2030 e o Fundo Ambiental, que estão a financiar a recolha seletiva de biorresíduos e soluções circulares. Além disso, a Taxa de Gestão de Resíduos (TGR) começa a premiar quem faz melhor: “em 2024, os municípios com melhor desempenho pouparam cerca de 4 milhões de euros”. A mensagem é clara e direta: “quem separa, ganha. Quem investe, poupa. Quem recicla, lidera”.  

É neste contexto que surge a nova campanha nacional da APA. José Pimenta Machado explica que se trata de “uma campanha sem precedentes, com um investimento de 5,3 milhões de euros”, pensada para tornar a separação de resíduos “um gesto natural, diário e consciente”. A campanha arrancou no Natal de 2025 e prolonga-se ao longo de 2026, com dois momentos fortes: “Na época da união faz a separação” e agora, “Vamos lixar o lixo antes que futuro se lixe”. O objetivo é chegar a todo o país, “do litoral ao interior, falando com todas as idades”, e colocar o tema dos resíduos sólidos urbanos no centro da agenda pública.  

Mas o presidente da APA deixa um aviso final: “Sem confiança não há campanha que resulte”. E essa confiança só existe quando os cidadãos encontram equipamentos disponíveis, informação clara e resultados visíveis. Para isso, conclui, “as entidades gestoras e os municípios têm de estar preparados para responder à exigência dos cidadãos”.