Presente na homenagem a Mateus Mide, campeão mundial de sub-17, numa cerimónia realizada esta quinta-feira na Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, André Villas-Boas comentou as incidências do clássico da Taça de Portugal entre F. C. Porto e Benfica, incluindo o facto de não se ter sentado ao lado de Rui Costa na tribuna presidencial.

“Fui eleito presidente e no primeiro Benfica-F. C. Porto foi-me destinado um lugar diferente daquele que pensava. A partir daí, retribuí da mesma maneira. Não se trata de nenhuma antipatia para com Rui Costa, mas após a minha eleição foi-me destinada a 6.ª ou 7.ª fila no Estádio da Luz. O F. C. Porto retribuiu com a 3.ª fila. Há alguma clivagem entre os três grandes, mas isso não nos impede de sentar à mesa para discutir alguns temas. Ainda não há respeito total para que nos sentemos ao lado um do outro [nos clássicos)” disse o líder portista, comentando ainda as declarações de José Mourinho, segundo o qual “a melhor equipa” não passou às meias-finais da Taça.

“É a interpretação do treinador do Benfica, não temos nada a dizer. Foi um jogo extremamente difícil, bem disputado e jogado, num ambiente mágico no Dragão. Teve uma arbitragem excelente, que tem de ser valorizada, sem erros. E tanto quanto sei, neste momento foi o jogo mais visto em canal aberto deste ano e isso também marca a diferença para o respeito que estas equipas têm uma pela outra”, referiu Villas-Boas, no dia em que o sorteio das meias-finais da “prova rainha” ditou um possível embate com o Sporting, caso os leões eliminem o AVS nos “quartos”.

“Podem ser mais dois clássicos e dois grandes jogos em perspetiva, numa altura decisiva para o calendário de ambos. Para além de haver um Benfica-F. C. Porto depois da primeira mão, haverá também um sobrecarregar de jogos europeus, numa altura difícil para todos. O sorteio ditou-o e espera que seja a continuação do espetáculo magnífico que tivemos na Taça. Teremos também uma surpresa na final desde já, devido à meia-final entre o Fafe e o Torreense. Que seja bem disputada e que traga mais valor ao Jamor. Da parte do F. C. Porto, terá de fazer o seu trabalho frente ao Sporting, partindo do pressuposto de que ultrapassará o AVS”, sublinhou o presidente do F. C. Porto.

Questionado sobre eventuais novas contratações no mercado de inverno, depois das chegadas ao Dragão do central Thiago Silva e do extremo Pietuszewski, André Villas-Boas não fechou a porta. “Em princípio não. Estamos atentos a possibilidades que possam surgir de última hora, e se os nossos jogadores forem assediados não esperamos surpresas. Nehuén foi substituído pelo Thiago Silva. Não sabemos se iremos mais ao mercado ou não. Temos confiança neste plantel”, disse, abordando ainda a atual vantagem portista no campeonato.

“É tudo muito prematuro. Estamos numa boa posição e temos um jogo muito difícil agora [em Guimarães, no próximo domingo]. Queremos continuar a nossa progressão neste campeonato, reconhecendo que ainda há muito jogo para jogar e sentiremos sempre todos os adversários à perna. Seja o Sporting ou o Benfica, apesar da distância ser de sete e 10 pontos. Para nós, é como se estivessem em igualdade pontual”, reforçou, sem deixar de comentar o comunicado do clube da Luz sobre o tratamento “vergonhoso” dado aos adeptos benfiquistas no clássico de quarta-feira no Dragão.

“A única coisa que posso constatar são os rasgos que tenho no banco de suplentes, do lado ocupado pelo Benfica. E tenho a constatar uma série de danos sem fim. Nas bancadas, e no anterior jogo, a bancada já tinha sido toda ‘graffitada’ pela claque do Benfica. E agora temos um sem número de grafittis. Não queremos maltratar os adeptos do Benfica. Há uma parte que é responsabilidade das forças de segurança e aí o F. C. Porto não manda ordens. É a polícia que coordena essas inspeções”, indicou, após uma cerimónia em que Mateus Mide e o triunfo dos sub-17 no Mundial foram temas centrais.

“Se ele pode renovar? O F. C. Porto de suportar estes atletas e dar-lhes conforto para continuarem a crescer, e muitas vezes esse conforto vem das renovações contratuais. Temos cinco campeões do mundo nos nossos sub-17, alguns já se estrearam pela equipa B e estão a saltar etapas. O desejo é que cheguem à equipa principal e continuem a ser uma mais-valia”, afirmou Villas-Boas.

“É um bom trabalho desenvolvido pelo clube. Os clubes portugueses têm muita necessidade de viver da formação e tem sido assim para nós nos últimos anos. Temos uma geração que se segue de grandes jogadores nas quais se incluem estes campeões europeus e agora do Mundo, como o Mateus, que agora é honrado aqui e espero que seja a continuação do bom trabalho formativo. Neste momento desenvolve-se com a mochila às costas e temos de andar de casa em casa a desenvolver os nossos talentos, porque nos falta essa infraestrutura para crescer. E aí também temos de agradecer ao Município de Gaia, que tem sido fundamental para nós”, acrescentou, ainda sem novidades sobre a construção do Centro de Alto Rendimento, no Olival.

“Em breve daremos início à movimentação de terras, estamos à espera do licenciamento final. E a partir daí, é dar início à construção da obra. O F. C. Porto tem de encontrar o veículo de financiamento mais sustentável para o crescimento do clube, esse é o desafio que se segue. No período do Centro do Olival, denominado recentemente Centro de Treinos e Formação Desportiva Jorge Costa, o F. C. Porto conquistou duas Ligas Europa, uma Liga dos Campeões, mais uma Intercontinental, e foi graças a esse espaço. É uma pedra fundamental para o crescimento dos profissionais e dos jovens do FC Porto, e para nós este próximo passo do Centro de Alto Rendimento é fundamental para novas conquistas. Quero agradecer ao senhor presidente Luís Filipe Menezes o trabalho nesta parceria”, concluiu.