Kathleen Kennedy diz adeus à Lucasfilm.
Na posição desde o fim de outubro de 2012, quando o estúdio responsável pelas sagas “Star Wars” e “Indiana Jones” foi vendido à Disney por George Lucas, Kennedy deixa oficialmente esta semana a presidência.
Esperado há algum tempo, o anúncio oficial foi feito na quinta-feira ao fim da tarde nos EUA, após semanas de um segredo mal guardado em Hollywood.
Essencialmente, a sua posição passará a ser dividida por duas pessoas, colaboradores de muitos anos: Dave Filoni será promovido a presidente e diretor criativo, ficando ainda mais na posição central de supervisionar a visão e direção criativa geral do estúdio para os filmes e séries (já era o diretor criativo desde novembro de 2023), enquanto a executiva Lynwen Brennan dirigirá as operações comerciais, ficando assim na supervisão da parte do “negócio”.
Os dois são “veteranos” da casa: o primeiro foi chamado por George Lucas, criador de “Star Wars”, para supervisionar a série “The Clone Wars” antes de se tornar, no regime de Kennedy, produtor executivo nas séries “The Mandalorian”, “O Livro de Boba Fett” e “Star Wars Skeleton Crew: Aventura pela Galáxia”, e criador, produtor executivo e argumentista de “Ahsoka”. Também é uma reconhecida “enciclopédia” da saga no interior do estúdio, juntamente com Pablo Hidalgo; a segunda era diretora geral da Lucasfilm, depois de ter ocupado a mesma função durante 16 anos na Industrial Light & Magic, a empresa de efeitos visuais criada por Lucas.
Em entrevista de despedida à publicação ‘online’ Deadline, Kennedy, com 72 anos, assume que o futuro passa pelo regresso à produção de filmes.
O início da carreira foi com Steven Spielberg e passou pela parceria com o marido Frank Marshall, que conheceu durante a rodagem de “Os Salteadores da Arca Perdida” (1941): trabalharam em vários filmes do realizador e foram co-fundadores da sua produtora Amblin.
A produtora The Kennedy/Marshall Company começou formalmente em 1992 e conseguiu nomeações para o Óscar de Melhor Filme com “O Sexto Sentido” (1999), “Nascido para Ganhar” (2003), “Munique” (2005) e “O Estranho Caso de Benjamin Button” (2008).
Os cinco filmes da saga “Jason Bourne” (2002-2016), “Sinais” (2002), “Persépolis” (2007), “O Escafandro e a Borboleta” (2007) e “Milagre no Rio Hudson” (2016) são outros títulos de prestígio da dupla.
Antes disso, os dois partilharam a nomeação por “A Cor Púrpura” (1985), enquanto Kennedy foi também nomeada por “E.T.” (1982), “Cavalo de Guerra” (2011) e “Lincoln” (2012).
Já o legado à frente da Lucasfilm é controverso: se as séries “Star Wars” têm chegado regularmente ao serviço de streaming Disney+, a saga marcou passo no grande ecrã desde “A Ascensão de Skywalker” em 2019 (o último da terceira trilogia) até ao anunciado regresso finalmente em maio deste ano com “The Mandalorian & Grogu” (exatamente um ano depois será a vez de “Star Wars: Starfighter”).
Os três filmes da saga “Skywalker” entre 2015 e 2019 dividiram os fãs e arrecadaram progressivamente menos nas bilheteiras. E como reconhece na entrevista à Deadline, não conseguiu convencer vários artistas a investirem o tempo e dedicação necessários para criar e levar novas histórias ao grande e pequeno ecrã, ou a Disney a dar luz verde a projetos que a entusiasmaram.
Entre os projetos que estão em desenvolvimento, adormecidos ou mortos na Lucasfilm, a lista oficial e oficiosa de envolvidos inclui desde os criadores de “A Guerra dos Tronos” a realizadores como Taika Waititi, Rian Johnson, Patty Jenkins, David Fincher, Simon Kinberg, James Mangold e Sharmeen Obaid-Chinoy, além de Steven Soderbergh com Adam Driver, o ator Donald Glover, Vince Gilligan (criador de “Breaking Bad”, “Better Call Saul” e “Pluribus”) e até Kevin Feige, o presidente da Marvel Studios.
O consenso entre fãs e críticos é que o filme “Rogue One: Uma História de Star Wars” (2016) e a série “Andor” são o seu melhor legado à frente do estúdio.
Por outro lado, “Han Solo: Uma História de Star Wars”(2018) terá sido um dos momentos mais baixos: o primeiro fracasso comercial da saga e onde teve de chamar Ron Howard para dirigir a meio depois de despedir os realizadores Phil Lord e Christopher Miller.
Ao Deadline na hora da despedida, reconheceu que Harrison Ford era insubstituível, pelo menos por agora: “Por mais maravilhoso que o Alden Ehrenreich tenha sido, e ele realmente foi ótimo, e é um ator maravilhoso, colocámo-lo numa situação impossível”.
Após muitos anos de avanços e recuos, “Indiana Jones e o Marcador do Destino”, o quinto da saga, também não deixou saudades aos fãs quando chegou às salas no verão de 2023, mas a produtora não tem arrependimentos.
“Porque o Harrison queria fazê-lo mais do que qualquer outra coisa”, disse ao Deadline. “Ele não queria que o Indy acabasse no quarto filme. Queria uma oportunidade para mais um, e nós fizemo-lo por ele. Acho que foi o mais correto a fazer. Ele queria fazer aquele filme. Não acho que Indy vá acabar de vez, mas também não acho que alguém esteja interessado em explorar isso agora. Mas estes são filmes intemporais, e Indy nunca vai acabar”.