O Governo francês avisou a Administração de Donald Trump do impacto negativo que uma escalada da posição norte-americana quanto à Gronelândia poderá ter nas relações comerciais com a União Europeia, afirmando que o diálogo com Washington persistirá na condição de que os Estados Unidos não “pisem o risco” nas pretensões quanto ao domínio da ilha que é território da Dinamarca.


Em declarações ao Financial Times, o ministro das Finanças francês, Roland Lescure, indicou ter sido essa mensagem transmitida em reunião com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, na passada segunda-feira, em Washington.


“A Gronelândia é parte soberana de um país soberano que integra a União Europeia. Não se deve mexer com isso”, afirmou Lescure sobre as conversas mantidas. Ao mesmo tempo, o responsável francês indicou que a França pretende manter linha aberta com os Estados Unidos numa iniciativa em sede de G7 que é liderada por Paris para a redução da dependência de minerais raros da China.


“Quando discordamos, é sempre melhor mantermo-nos envolvidos, e é isso que estamos a fazer. O diálogo tem de continuar enquanto as os riscos que não devem ser pisados não forem pisados”, indicou Lescure ao diário britânico.


O responsável francês afastou no entanto um comentário sobre eventuais futuras sanções económicas aos Estados Unidos, cujo Presidente, Donald Trump, tem insistido em reivindicações sobre o território da Gronelândia, cuja tomada vê como um questão de “segurança nacional”.


Nesta sexta-feira, uma delegação de 11 membros do Congresso dos Estados Unidos irá reunir-se com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e com o primeiro-ministro gronelandês, Jens-Frederik Nielsen, numa visita na qual os norte-americanos pretendem transmitir apoio às relações EUA-Dinamarca e à NATO tanto por parte de Democratas como Republicanos.