Declarações do Presidente – em fim de mandato – a poucas horas do dia de reflexão – que Marcelo defende ser necessário

O Presidente da República avisou esta sexta-feira que uma eventual intervenção dos EUA na Gronelândia “não pode ser aceite nem subscrita por Portugal”, sublinhando que deve ser rejeitada qualquer operação que “desrespeite o Direito Internacional, a Carta das Nações Unidas e os compromissos assumidos no quadro da NATO”.

Por outro lado: numa antecipação ao mandato do seu sucessor, fez outro aviso: “A tarefa do próximo Presidente vai ser mais difícil do que a minha”. E justificou: “Para Portugal, apesar da situação existente agora e dos fundos europeus, do PRR, que dá uma ajuda nos próximos anos, e do Portugal 2030… apesar dessa situação económica, é evidente que o próximo Presidente vai ter uma situação mais complicada que vem do mundo e da Europa”. E acrescentou mais: “Hoje há um grau de mudança e de aceleração na política. O mundo está mais imprevisível, a Europa está mais imprevisível e isso torna a política mais difícil, assim como as decisões económicas e sociais”.

Sobre o ato eleitoral em si, Marcelo sublinhou a importância de se manter um “dia de reflexão”, cuja vantagem, diz, é as pessoas “poderem respirar e haver uma distensão”. Neste que é o último dia da campanha eleitoral, o ainda Presidente afirma que, face a campanhas “cada vez mais intensas” e a debates “mais acesos”, “chega-se ao fim de uma forma muito emocional e muito confrontacional”. Sendo assim: “Foi por isso que, quando se fez a lei, se pensou que era bom haver um compasso de espera de 24 horas e não se avançar imediatamente para o voto”.

Quando instado a comentar o momento em que André Ventura apareceu vestido com uma farda militar numa ação de campanha na quinta-feira, Marcelo reiterou que não está disponível para tecer comentários sobre as campanhas.

Voltando ao mundo: quanto à incursão norte-americana na Venezuela, explicou que as autoridades portuguesas “tiveram a consciência de que se tratava de uma intervenção que de alguma maneira questionava sobretudo a Carta das Nações Unidas”. Foi essa a linha vermelha desenhada pelo Governo português, argumentou o Presidente. “É muito simples, o Governo saiu com uma posição que foi articulada comigo no início e a sua primeira reação foi dizer que se devia respeitar o Direito Internacional e a Carta das Nações Unidas”, afirmou, sublinhando que o respeito pela vontade do povo venezuelano e da comunidade portuguesa eram aspetos cruciais.